A hipótese de hagoromo ōtsutsuki como vilão final em naruto: Uma análise do potencial narrativo não explorado
A figura do Sábio dos Seis Caminhos, Hagoromo Ōtsutsuki, reacende o debate sobre poder ter sido um antagonista mais impactante que Kaguya.
A conclusão da saga Naruto Shippuden introduziu Kaguya Ōtsutsuki como o inimigo derradeiro, a progenitora do chakra. Contudo, a presença e o legado de seu filho, Hagoromo Ōtsutsuki, o Sábio dos Seis Caminhos, continua a gerar especulações sobre um arco antagonista alternativo que poderia ter redefinido o clímax da história.
A história estabelece Hagoromo como o idealizador de um mundo de paz, aquele que selou sua mãe e dedicou sua existência à transmissão de seu poder e ideais através dos reencarnados. No entanto, se analisado sob uma lente puramente dramática, o Sábio dos Seis Caminhos possui elementos que o tornariam um antagonista fascinante, especialmente quando comparado à frieza e motivação ambígua de Kaguya.
O paradoxo do herói transformado em obstáculo
A força de um vilão reside frequentemente na coerência de sua convicção ou na profundidade de sua queda. Hagoromo, ao longo da narrativa canônica, é retratado como uma figura de luz, tendo selado Kaguya e espalhado o chakra. O conflito que ele representa é primariamente ideológico, manifestado através de seus descendentes, Indra e Ashura, culminando em Madara Uchiha.
A introdução de Hagoromo como o obstáculo final, em vez de Kaguya, forçaria os protagonistas, Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha, a confrontar não um ser puramente maligno, mas a perfeição falível. Ele teria estabelecido regras e métodos para a paz que, com o tempo, se mostraram obsoletos ou restritivos. Seus ensinamentos levariam a um impasse, exigindo que a nova geração não apenas superasse seu poder, mas também a sua filosofia.
Confrontando a Progenitura do Chakra
Enquanto Kaguya representa o medo da extinção e o desejo primitivo pelo chakra, Hagoromo personifica o risco da doutrinação e do controle excessivo em nome da ordem. Um confronto com o Sábio dos Seis Caminhos poderia ter explorado temas complexos como:
- A rigidez das tradições impostas por figuras messiânicas.
- A necessidade de quebrar ciclos de poder autoimpostos.
- O verdadeiro significado de liberdade e paz, além de selamentos e pactos.
Essa abordagem levaria a um desenvolvimento mais profundo para Sasuke, cuja jornada sempre esteve ligada à busca por poder e controle para reformar o sistema shinobi. Enfrentar o criador desse sistema, em vez da ameaça externa, teria elevado o peso moral das decisões tomadas por Naruto e Sasuke. A luta não seria apenas sobre quem é mais forte, mas sim sobre qual caminho para o futuro deve prevalecer.
Embora a introdução de Kaguya tenha buscado elevar as apostas ao nível cósmico, a tensão narrativa gerada pela possibilidade de Hagoromo ser o adversário final reside justamente em sua natureza complexa, misturando admiração e resistência, algo que se alinha mais com a essência dos grandes dilemas morais explorados na obra original de Masashi Kishimoto.