A incapacidade de visualizar imagens mentais teria influenciado a criação de kentarou miura em berserk?
Uma análise sugere que a ausência de visualização mental pode ter moldado a representação da percepção em Berserk.
A arte intrincada e a profundidade psicológica de Berserk, criadas pelo falecido mestre Kentarou Miura, levantam um questionamento fascinante sobre os processos criativos por trás de sua obra. Uma linha de investigação especulativa aborda a possibilidade de Miura ter sido afantásico, ou seja, alguém que possui a incapacidade de visualizar imagens mentais voluntariamente, um fenômeno conhecido como afantasia.
A afantasia, estudada pela neurociência, afeta a capacidade de formar imagens mentais vívidas, como descrever um objeto comum ou reviver uma memória visual. Para quem não possui essa habilidade, a ideia de “ver” algo na mente pode parecer puramente metafórica. Essa percepção pode ter raízes em uma passagem específica de Berserk.
A pista na narrativa de Berserk
A especulação surge a partir da interpretação de uma cena do mangá, especificamente no capítulo 251. Nesta sequência, a personagem Schierke parece indicar que a visualização mental clara, ou a falta dela, é um conceito comum ou até mesmo a norma para os seres humanos dentro do universo da obra. O ponto de partida dessa reflexão é a crença de que, se a maioria das pessoas consegue visualizar mentalmente - algumas com clareza fotorealista, outras com variações - a representação apresentada no mangá poderia refletir uma experiência pessoal do autor.
Para um artista com afantasia, entender como a visualização funciona para a maioria das pessoas - os chamados phantásicos - pode ser um conceito abstrato, difícil de capturar sem estudo aprofundado. Na ausência dessa experiência interna direta, a construção do mundo e a representação de habilidades mentais poderiam ser baseadas em observação externa ou em uma simplificação do conceito.
Realismo psicológico e escolhas artísticas
Kentarou Miura era célebre por seu rigor em buscar o realismo psicológico em suas representações de emoções, batalhas complexas e cenários detalhados. Levando isso em consideração, a colocação de uma limitação na visualização mental como um ponto de partida poderia ser uma escolha deliberada. Se Miura fosse afantásico, tal condição, que afeta uma pequena porcentagem da população, cerca de 4%, tornaria-se a base para o funcionamento mental de seus personagens, sem que ele percebesse que isso difere da experiência da maioria.
Outra perspectiva sugere que a representação vista no capítulo 251 pode ser simplesmente uma ferramenta narrativa, um recurso simbólico para diferenciar níveis de percepção ou treinamento espiritual entre os personagens, como a diferença entre a visão mundana e visões místicas. No entanto, a análise da dificuldade de simplesmente “trazer uma imagem à mente” sugere uma conexão mais profunda com a experiência humana real, o que alimenta a curiosidade sobre como o lendário mangaká processava a criação de suas imagens icônicas sem a capacidade de visualizá-las internamente.
A ausência de declarações diretas de Kentarou Miura sobre suas próprias capacidades cognitivas deixa a questão em aberto, transformando o processo criativo por trás do universo de Berserk em um campo fértil para interpretações sobre a relação entre mente, arte e limiares da percepção humana.