A hipótese da extinção: Quando as lendas dos caçadores de demônios se tornam história real
Uma reflexão sobre como narrativas históricas de combate a entidades malignas podem ter sido varridas da memória coletiva.
A ficção frequentemente explora cenários onde criaturas mitológicas ou ameaças sobrenaturais são eliminadas por heróis dedicados. Essa premissa, presente em obras como Demon Slayer, levanta uma questão intrigante sobre a nossa própria percepção da história: e se as lendas de outrora fossem, na verdade, registros distorcidos de eventos reais?
O ponto central desta linha de raciocínio reside na ideia de que, se entidades como os demônios de Demon Slayer de fato existiram no passado, a erradicação completa dessas forças, efetuada por guerreiros ancestrais, poderia ter resultado em um apagamento total das evidências físicas e documentais de sua existência.
O silêncio pós-extermínio
Em histórias contemporâneas, frequentemente, as gerações mais novas descartam os contos de seus antepassados como mera fantasia, folclore ou metáforas para tempos difíceis. No universo de Demon Slayer, por exemplo, a era moderna ignora a luta pela sobrevivência contra os demônios, considerando os relatos ficcionais. Transpondo isso para um contexto histórico mais amplo, a aniquilação total de uma espécie ou ameaça específica, por mais fantástica que pareça, deixaria um vácuo na compreensão histórica.
Imagine uma sociedade passada onde a caça a essas entidades ameaçadoras era uma profissão organizada e sanguinária, análoga à dos Hashiras e Caçadores de Demônios. Se essa organização fosse bem-sucedida, a própria razão de sua existência desapareceria. Sem inimigos tangíveis, a necessidade de manter registros detalhados sobre técnicas de combate especializadas ou a natureza exata dos seres combatidos diminuiria drasticamente.
A dificuldade da prova negativa
A ausência de provas é frequentemente interpretada como prova da ausência. Em um cenário onde eventos cataclísmicos foram superados e os sobreviventes se reorganizaram em um mundo mais pacífico, a tentação de classificar os relatos assustadores como mitos é forte. Sem esqueletos, artefatos de batalha específicos ou registros científicos válidos, a nova ordem mundial simplesmente aceitaria a versão mais plausível e menos perturbadora da história.
Essa especulação toca em como a história é construída e preservada. A narrativa histórica é inerentemente seletiva, priorizando o que é verificável e coerente com o entendimento atual do mundo. Se os demônios representam predadores que, porventura, a humanidade conseguiu eliminar através de métodos rigorosos e eficazes, como os descritos nas lendas de bravura, o resultado final é a incredulidade das gerações futuras em relação a qualquer relato que desafie a lógica moderna. O legado dos guerreiros, neste caso, seria a própria paz que permite a negação de sua luta.