A questão da identidade no transplantio cerebral: O enigma de hikone e gremmy no universo bleach
A aquisição do cérebro de Gremmy por Hikone levanta questões profundas sobre a retenção de ego e personalidade em procedimentos biológicos avançados.
Um dos arcos mais complexos explorados no final do mangá Bleach envolve o personagem Hikone, cuja biologia foi drasticamente alterada por um transplante envolvendo o cérebro de Gremmy Thoumeaux, o Visionário. Este evento introduziu um dilema fascinante no que tange à essência da individualidade e se a consciência ou o ego de um doador poderia se manifestar no receptor.
O cerne da questão reside em entender o mecanismo exato pelo qual o cérebro de Gremmy foi integrado ao corpo de Hikone. Na narrativa de Tite Kubo, a capacidade de manipulação biológica e a ciência Quincy-Hollow atingem níveis que desafiam a biologia convencional. A aquisição de uma parte tão vital quanto o cérebro deveria, teoricamente, trazer consigo traços significativos da personalidade anterior, especialmente considerando o poder psíquico e a arrogância inerente a Gremmy.
A retenção do ego e a ciência ficcional
Para o público, a ausência da manifestação clara do ego de Gremmy no corpo de Hikone gerou perplexidade. Gremmy era conhecido não apenas por sua habilidade de transformar pensamentos em realidade, mas também por uma personalidade extremamente egocêntrica e sádica. Se o órgão vital de processamento de pensamentos foi transferido, por que a personalidade dominante não emergiu ou pelo menos influenciou o comportamento do novo hospedeiro de forma mais óbvia?
Uma linha de análise aponta para a natureza da alma e do Reiatsu dentro do universo Bleach. A identidade de um indivíduo não se restringe puramente aos tecidos cerebrais físicos. O alma, ou a essência espiritual, que dita a individualidade profunda, pode ter prevalecido sobre a influência neural temporária. Hikone, sendo uma criação única resultado da fusão de um Arrancar e um Quincy, pode possuir uma força anímica superior ou um sistema de rejeição espiritual que suprimiu a consciência intrusiva.
A prevalência do hospedeiro sobre o órgão transplantado
Outra interpretação sugere que a capacidade de regeneração e adaptação do corpo de Hikone, talvez reforçada pela tecnologia Quincies associada a figuras como Urahara, foi suficiente para assimilar completamente o novo tecido cerebral sem absorver a personalidade associada. Neste contexto ficcional, o cérebro funciona mais como um repositório de memórias e capacidades latentes do que como um transmissor direto de personalidade.
Se a personalidade fosse puramente uma função do tecido físico, qualquer transplante cerebral em romances de ficção que envolve a transferência de mentes poderosas deveria resultar em uma fusão ou dominação imediata. O fato de Hikone reter sua própria essência, apesar de possuir a 'matéria-prima' cognitiva de Gremmy, sugere um controle espiritual ou uma integridade de alma que transcende o hardware biológico. Este detalhe serve para manter a coerência das identidades estabelecidas na obra, mesmo diante de avanços tecnológicos quase milagrosos, como os usados no Mundo Espiritual.