O impacto da ausência do capítulo 83 de berserk na interpretação da ascensão de griffith
A descontinuidade narrativa causada pela não canonização do capítulo 83 afeta a leitura do ápice da transformação de Griffith.
A saga de fantasia sombria Berserk, criada por Kentaro Miura, carrega consigo uma profundidade teológica e filosófica que continua a ser dissecada por seus leitores. Um ponto focal de análise recente reside na transição exata que culmina na mais recente encarnação de Griffith, após o Eclipse e sua subsequente ascensão. Especificamente, a maneira como os eventos são apresentados no final do capítulo 82 e o que se seguiu criam um vácuo interpretativo notável.
Ao focar nos momentos conclusivos do capítulo 82, observa-se uma cena de extrema relevância metafísica. Neste ponto da narrativa, a Ideia do Mal é claramente apresentada. Mais impactante ainda é o fato de que o recém-formado Femto, a manifestação celestial de Griffith, se dirige a esta entidade cósmica - a Ideia do Mal - usando um termo de reverência absoluta: “Deus”.
A Relevância Teológica do Reconhecimento Divino
Essa interação específica é crucial para compreender a cosmologia apresentada na obra. Se Griffith, no ápice de sua ambição materializada e investido de poder demoníaco, reconhece a Ideia do Mal como uma força superior ou como o próprio Deus supremo do universo Berserk, isso estabelece um patamar hierárquico. Isso sugere que mesmo a entidade que orquestrou o Eclipse e facilitou a ascensão do Mão de Deus não é o poder final, mas sim um intermediário ou uma faceta de algo maior.
A omissão ou não canonização do que ocorreria no capítulo 83 coloca essa cena do capítulo 82 em um pedestal de importância quase incontestável. É o último registro claro antes de uma mudança drástica na apresentação de Griffith ao mundo exterior como um salvador humano, mascarando sua origem demoníaca.
O Silêncio Narrativo Pós-Eclipse
A ausência de material canônico detalhando os passos imediatos após Griffith se dirigir à Ideia do Mal como “Deus” obriga os leitores a preencherem essa lacuna com especulações baseadas em outras partes da mitologia da série, como o Conceito de Causalidade. O que exatamente o Deus da Escuridão, ou a entidade por trás da Ideia do Mal, respondeu ou exigiu em troca da transformação final?
A apresentação subsequente de Griffith como o líder carismático e messiânico do Reino de Falconia é, paradoxalmente, construída sobre essa fundação sombria e de adoração cósmica. A breve, mas poderosa, cena no fim do capítulo 82 serve como um lembrete visceral da dívida e da natureza do poder que reside sobre a nova encarnação de Griffith. Essa dinâmica complexa entre rebelião, subserviência e poder absoluto define o tom para a saga atual da obra.