Análise detalhada aponta inconsistências técnicas e visuais marcantes na terceira temporada de one-punch man

Um exame minucioso dos episódios da terceira temporada de One-Punch Man revelou uma série de falhas de animação, design e continuidade, gerando frustração.

An
Analista de Mangá Shounen

31/01/2026 às 22:41

5 visualizações 6 min de leitura
Compartilhar:

A recente terceira temporada do aclamado anime One-Punch Man tem sido objeto de intensa análise por parte do público, que esperava um nível técnico comparável às temporadas anteriores. Uma revisão detalhada dos 12 episódios aponta uma jornada marcada por altos e baixos extremos, com momentos de animação competente sendo ofuscados por problemas recorrentes de fluidez, consistência visual e direção de arte.

Desde o primeiro episódio, observadores notaram dificuldades na fluidez das movimentações, como a animação de caminhada do personagem Garou sendo descrita como chunky, ou seja, travada. Embora o esforço dos animadores seja reconhecido, pequenos detalhes em cenas cruciais, como interações em restaurantes, falharam em manter o padrão de qualidade esperado pela produção de alto orçamento.

Queda de qualidade e uso excessivo de efeitos visuais

A crítica se acentuou a partir do terceiro episódio, onde sequências de luta pareceram repetitivas, dependendo excessivamente de cortes rápidos para close-ups. Um ponto de atenção foi também a inconsistência na representação de personagens, incluindo um breve momento em que o personagem Royal Ripper foi identificado incorretamente.

A partir do quarto episódio, o uso massivo de luzes neon agressivas começou a incomodar, culminando em cenas visualmente saturadas que, segundo a análise, dispersaram a atenção da narrativa, especialmente durante momentos dramáticos como a cena do caldo.

O quinto episódio parece ter sido um marco negativo em termos técnicos. Relatos apontam o uso de animações de corrida mal executadas, com apenas dois quadros repetidos para simular movimento. A decepção se estendeu a cenas de ação que pareciam estáticas, utilizando movimentos de PNG slides ou interrupções bruscas de uma luta épica para a revelação simplificada do vencedor, sugerindo uma produção apressada.

Problemas de Continuidade e Design

A lista de falhas técnicas não se limitou à fluidez. No sexto episódio, a revelação de uma cena envolvendo o corte de cabelo de Atomic Samurai sugeriu um recorte grosseiro de um painel do mangá, com uma área escura sendo aplicada na borda do quadro para disfarçar a transição. Além disso, a estreia de Genos com sua nova atualização parece ter sido prejudicada por efeitos visuais exagerados, transformando cenas em verdadeiras 'discotecas' de luzes neon.

O sétimo episódio trouxe à tona problemas de continuidade corporal, com a personagem Capitã Mizuki apresentando anomalias no número de dedos e características físicas em diferentes tomadas. O uso indiscriminado de linhas de velocidade em todos os elementos, inclusive em figuras paradas, reforçou a sensação de sobrecarga visual.

Houve um breve alívio no nono episódio, citado como um ponto alto onde a animação se manteve consistentemente boa e a experiência de visualização foi finalmente positiva, sem o excesso de luzes neon.

O Desapontamento dos Episódios Finais

O décimo episódio, contudo, representou um retrocesso drástico. A ação iniciada com Zombieman foi criticada pela falta de animação em ações simples, como abrir portas, e pelo uso de texto na tela para substituir onomatopeias durante um abate de monstros. A estética visual escura e a quebra de padrão de comportamento do personagem ao remover um pirulito foram apontadas como exemplos de roteiro e direção mal ajustados.

Os episódios finais continuaram a alternar entre a boa animação de alguns combates pontuais e o retorno dos mesmos problemas: luzes excessivas, still frames e efeitos sonoros aplicados a imagens paradas. A conclusão da temporada, apesar de apresentar um soco de Saitama que foi considerado tecnicamente bom, pareceu insuficiente para compensar o esforço investido nos episódios anteriores, deixando a sensação de que a obra foi quebrada por uma produção inconsistente.

O anúncio de que a Parte 2 chegará apenas em 2027, com um material promocional que apenas inverte a arte do primeiro cartaz, leva a especulações de que o estúdio pode estar ciente das críticas à atual fase do projeto de animação.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.