A jornada de guts em berserk: Mais do que vingança, uma luta contra a própria escuridão
A narrativa de Berserk transcendeu o desejo inicial de Guts por retaliação, evoluindo para um conflito existencial profundo.
A epopeia sombria de Berserk, criada pelo mestre Kentaro Miura, é constantemente revisitada por sua carga emocional, mas uma análise aprofundada da trajetória do protagonista, Guts, revela que sua busca central se transformou há muito tempo. Embora a vingança contra Griffith seja o motor que impulsionou grande parte da história, a evolução do personagem o distanciou da mera obsessão destrutiva.
A ideia de que a série exige um desfecho focado exclusivamente na satisfação da vingança ignora a complexidade filosófica que Miura introduziu progressivamente. Um ponto crucial para entender essa mudança reside na sabedoria transmitida por Godo, o ferreiro que acolheu Guts. Ele advertiu que “O ódio é um lugar para aqueles incapazes de enfrentar sua própria tristeza”. Essa citação encapsula o perigo inerente à vingança: ela consome o indivíduo, comparando-se a uma lâmina que enferruja quanto mais é afiada.
O abandono do caminho do ódio
O caminho de Guts para se afastar da escuridão começou de forma prática e simbólica com a aceitação de novos companheiros. A inclusão de figuras como Isidro e Schierke na sua jornada não representa apenas uma expansão do elenco, mas um reconhecimento de que ele não pode mais sobreviver ou lutar sozinho. Este Guts, mais aberto à ajuda e focado na proteção de Casca, difere drasticamente do guerreiro solitário e movido pela fúria implacável retratado em arcos anteriores.
A narrativa, portanto, parece mover-se para um confronto maior, onde o destino de Guts e seus aliados se entrelaça com a estrutura cósmica do universo de Berserk. Observadores apontam que o conflito final pode não ser exclusivamente pessoal.
O futuro de Falconia e o papel da Divina Providência
Os eventos recentes sugerem que a própria existência da utopia criada por Griffith, Falconia, pode ser um catalisador para a destruição. A cidade, um espaço de ordem e aparente paz, entra em choque direto com as regras de caos e casualidade que regem os planos mais elevados da existência no mangá. Isso leva a especulações de que a entidade Griffith perdeu a pureza absoluta de Femto ao reincorporar traços de sua humanidade perdida, tornando-o um alvo dentro da hierarquia dos Apostles e da própria God Hand.
A história pode estar se preparando para uma repetição cíclica, onde os anjos, seguindo padrões milenares, virão para desestabilizar Falconia. Se isso ocorrer, Guts e seu grupo teriam uma janela de oportunidade para enfrentar a God Hand, que estaria ocupada lutando contra as forças angelicais. Sem este cenário disruptivo, superar a God Hand simultaneamente com Griffith e seus Apostles parece uma tarefa quase impossível para a Espada Matadora de Dragões e sua companhia.
A conclusão provável aponta mais para um desfecho existencial do que para um duelo de vingança direta. Seja por exaustão após o combate contra forças maiores, seja por um último e breve confronto com o antigo amigo, a primazia da jornada não é mais o sangue derramado, mas a capacidade de Guts de construir um futuro para aqueles que ama, longe do jugo do ódio que quase o consumiu.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.