O legado de inuyasha sob a lente da nostalgia: O anime ainda merece recomendações?
A validade de animes clássicos como Inuyasha é posta em xeque pela nova geração. Será que a saudade mascara falhas de roteiro?
O anime Inuyasha, um marco da animação japonesa do início dos anos 2000, frequentemente surge em conversas sobre clássicos atemporais. Contudo, uma reavaliação recente sugere que a obra pode estar lutando para manter seu apelo perante o público contemporâneo, levantando questões sobre o véu protetor da nostalgia.
A série, criada por Rumiko Takahashi, equilibra fantasia histórica, romance e ação, envolvendo a jovem Kagome Higurashi transportada para o Japão Feudal em busca dos fragmentos de uma joia mágica ao lado do meio-demônio Inuyasha. Este coquetel narrativo foi extremamente bem-sucedido em sua época, capturando a atenção de uma vasta audiência.
A dificuldade de recomendar clássicos
A análise sobre a qualidade duradoura de Inuyasha toca em um ponto sensível para muitos espectadores mais velhos: a linha tênue entre a afeição genuína e a memória idealizada. Trabalhos que definiram uma geração, muitas vezes, apresentam elementos de produção ou ritmo narrativo que não se alinham com os padrões de qualidade e velocidade esperados hoje. A animação, por exemplo, embora revolucionária para o período, pode parecer datada em comparação com as produções de estúdios modernos, como o Ufotable ou o Kyoto Animation.
O ritmo da narrativa, característico de animes de longa duração daquela era, é um ponto frequente de crítica. Arcos longos e o preenchimento de episódios, que visavam estender a exibição, podem testar a paciência de quem está acostumado com temporadas mais concisas e objetivas.
Elementos que resistem ao tempo
Apesar de possíveis descompassos técnicos ou estruturais, alguns pilares de Inuyasha continuam a ser elogiados. A química central entre os protagonistas, Inuyasha e Kagome, é vista como um dos maiores trunfos românticos do gênero shōnen/shōjo híbrido. Além disso, a construção do elenco de apoio, incluindo personagens complexos como Sesshōmaru, oferece profundidade que transcende a idade da produção.
A exploração do folclore japonês e a ambientação histórica fornecem um pano de fundo rico que ainda oferece valor educacional e imersivo. A trilha sonora icônica, com aberturas inesquecíveis, é frequentemente citada como um elemento que consegue evocar a emoção original, mesmo em reexibições.
A verdadeira questão, então, não reside em se Inuyasha é um anime ruim, mas sim em como posicioná-lo no cenário atual. Ele se firmou como um pilar histórico que merece ser explorado por seu contexto cultural e pelos fundamentos que ajudou a estabelecer no mundo dos animes, mesmo que sua recomendação direta para um espectador novato dependa da sua tolerância a convenções narrativas do passado.