A lógica biológica por trás da troca de olhos no clã uchiha de naruto é questionada
Análises sobre o universo de Naruto apontam para inconsistências biológicas no hábito dos Uchiha de transplantar seus olhos.
O clã Uchiha, um dos mais emblemáticos e poderosos da franquia Naruto, é famoso por seu Sharingan, uma linhagem ocular capaz de habilidades extraordinárias. No entanto, certas práticas dentro deste clã levantam questões fascinantes sobre a plausibilidade biológica dentro do mundo ninja, especificamente o ato de transplantar e presentear os olhos como se fossem objetos descartáveis.
A narrativa frequentemente retrata membros dos Uchiha trocando seus olhos, seja para proteger um ente querido ou como um gesto de lealdade profunda. Essa substituição de órgãos sensoriais, tratada quase como a troca de baterias removíveis em alguns momentos da continuidade, gera um debate sobre a compreensão da anatomia ocular por parte do criador da obra, Masashi Kishimoto.
O custo da troca ocular
Do ponto de vista da biologia humana, a premissa da troca constante de olhos é, no mínimo, complexa. Um olho não é apenas o globo ocular; ele é um órgão intrinsecamente conectado ao cérebro através do nervo óptico, sustentado por uma rede delicada de músculos extraoculares, vasos sanguíneos e receptores de luz na retina. A remoção e o subsequente implante de um órgão tão vital implicariam danos maciços a essas conexões neurais.
Mesmo que o poder do Sharingan, ou Mangekyō Sharingan evoluído, pudesse, por meio de técnicas de chakra, facilitar a reconexão, a prática reiterada sugere uma fragilidade inerente que é ironicamente ignorada. Se a transferência fosse possível, os riscos de infecção, rejeição tecidual e falha na reintegração dos músculos responsáveis pelo movimento ocular seriam imensos. Um corpo que pudesse suportar tais cirurgias repetidas sem consequências graves apresentaria exceções anatômicas notáveis.
Glaucoma e a longevidade ocular
Outro ponto levantado por observadores mais atentos é a alta prevalência de doenças oculares degenerativas entre os Uchiha, algo que o enredo aborda poeticamente, mas que também pode ser visto sob uma lente mais cética. O uso extremo do Sharingan, que drena a energia vital do usuário, é o catalisador para a cegueira, muitas vezes resultando na busca por olhos mais poderosos, como os de Itachi Uchiha ou Sasuke Uchiha.
Considerando a constante manipulação e o estresse visual imposto, é plausível supor que o glaucoma, uma doença que danifica o nervo óptico e é frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular, seria uma causa de morte ou incapacidade muito mais comum entre os membros deste clã, dada a sua dependência extrema da visão aprimorada. O universo de Naruto, ao focar no misticismo e na energia espiritual (chakra) como solução para quase todos os males físicos, frequentemente simplifica ou ignora as restrições fundamentais da biologia real para avançar o drama narrativo.
Essa discrepância entre a fisicalidade do órgão e a facilidade com que ele é trocado acentua a natureza fantástica da obra, onde o poder do sangue e as linhagens genéticas transcendem as limitações do corpo humano comum, permitindo feitos que desafiam a ciência reconhecida. O Sharingan, portanto, permanece como um excelente exemplo de como a narrativa pode moldar as regras da biologia para criar momentos de grande impacto emocional e visual.