A metáfora do jogo: Por que o xadrez pode ter falhado onde o gungi brilharia em hunter x hunter
A discussão sobre a escolha da analogia de xadrez para momentos de estratégia em Hunter x Hunter levanta um debate sobre a profundidade narrativa do Gungi.
A análise de momentos cruciais em narrativas complexas frequentemente reside na escolha de suas analogias centrais. No universo de Hunter x Hunter, a genialidade reside, muitas vezes, nos jogos de estratégia que refletem batalhas intelectuais. Recentemente, a substituição de uma potencial metáfora profunda, ligada ao jogo fictício Gungi, pela mais comum representação do xadrez, gerou um questionamento sobre o impacto narrativo perdido.
O xadrez, mundialmente reconhecido como o epítome da tática e do planejamento de longo prazo, é frequentemente empregado em histórias como um atalho rápido para sinalizar a inteligência superior de um personagem. Contudo, observando o contexto específico da obra de Yoshihiro Togashi, o recurso ao xadrez pode parecer superficial ou até mesmo clichê.
O potencial não explorado do Gungi
O Gungi, um jogo exclusivo do mangá, criado especificamente para a saga das formigas Quimera, possui um simbolismo inerente àquele arco narrativo. Ele não é apenas um jogo; ele representa a complexidade das decisões morais e a tentativa de estabelecer regras em um ambiente caótico e existencialmente perigoso.
A utilização dessa analogia interna, em vez de recorrer a um jogo externo como o xadrez, poderia ter fortalecido a imersão. Se um personagem tivesse feito uma alusão estratégica baseada nas regras do Gungi, isso teria reforçado a ideia de que suas táticas emergiram diretamente da sua experiência dentro daquele mundo específico, mostrando um nível de pensamento mais orgânico e integrado à trama.
A barreira da compreensão do leitor
Há, obviamente, um custo para essa profundidade temática quando se trata da comunicação com o público. O xadrez é universalmente compreendido. Uma comparação com ele estabelece imediatamente o nível de confronto intelectual sem a necessidade de longas explicações.
A crítica implícita sugere que o autor ou adaptadores podem ter se preocupado com a dificuldade do leitor médio em acompanhar uma metáfora baseada no Gungi, que exige um conhecimento prévio de suas regras e nuances. Optar pelo xadrez garante que a mensagem de genialidade estratégica seja capturada instantaneamente, sacrificando, talvez, a sofisticação do detalhe específico da série.
A questão central, portanto, não é se o personagem jogou xadrez, mas sim se, dada a riqueza de elementos originais disponíveis na narrativa, a escolha mais segura não acabou por diminuir o peso da decisão comparada.