A moralidade por trás da decisão de itachi uchiha: Entre o dever nacional e o extermínio familiar
A análise fria da ordem dada a Itachi Uchiha levanta questões complexas sobre o utilitarismo de estado em face do genocídio.
A figura de Itachi Uchiha, um dos personagens mais complexos do universo Naruto, sempre foi apresentada sob a lente do sacrifício supremo: a escolha entre seu clã e a paz de sua vila, Konohagakure. Contudo, uma reavaliação desprovida do peso emocional da narrativa revela um dilema ético mais sombrio, forçando a audiência a confrontar a natureza do que foi executado.
O enquadramento tradicional retrata Itachi como um herói trágico, um agente utilitarista que optou pelo menor dos males ao eliminar quase todo o Clã Uchiha. A justificativa oficial repousa na prevenção de uma guerra civil iminente, uma ameaça que os líderes de Konoha percebiam como real devido ao crescente descontentamento do clã.
O preço da segurança nacional
Ao remover o foco da tragédia pessoal e focar na perspectiva puramente política, o ato se transforma. Não se trata apenas de um conflito entre facções, mas da eliminação sistemática de um grupo étnico ou social sob ordens diretas da autoridade estatal. Questiona-se, portanto, se a narrativa da série não estaria, intencionalmente ou não, condicionando a simpatia do público a aceitar um ato de extermínio preventivo, desde que justificado pela segurança nacional.
A premissa de que a extinção do clã era o único caminho para evitar o derramamento de sangue se baseia essencialmente na versão dos fatos apresentada pelos vencedores, ou seja, os governantes de Konoha. A perspectiva Uchiha, ou a possibilidade de uma solução diplomática ou de contenção menor, é convenientemente ignorada ou minimizada.
Utilitarismo versus Ética Fundamental
O cerne da controvérsia reside na validade do utilitarismo quando aplicado a crimes contra a humanidade. Se a defesa de Itachi se apoia puramente na máxima de que sua ação salvou mais vidas do que as perdidas (um cálculo utilitarista clássico), o que isso implica sobre a estrutura moral do próprio sistema shinobi? O sistema aceita que qualquer grupo minoritário possa ser sacrificado em prol da estabilidade maior, desde que a ameaça seja classificada como existencial?
Muitos observadores argumentam que, mesmo sob a ótica da menor consequência negativa, a inclusão de não combatentes e de membros inocentes do clã na lista de baixas cruza uma barreira moral intransponível. A execução de indivíduos que não representavam perigo imediato, mas que faziam parte do grupo designado para eliminação, complica a defesa do ato como meramente defensivo.
A complexidade da situação de Itachi força uma análise sobre onde a lealdade a uma instituição termina e a responsabilidade moral pessoal começa. Seu legado é, em última análise, um estudo de caso sobre a tirania justificada pela necessidade aparente, um tema recorrente em narrativas políticas e filosóficas, agora revisitado no contexto da Vila da Folha.