Mundo de berserk: A busca por um mapa oficial e a geografia da jornada de guts
A complexidade geográfica do universo de Berserk levanta questões sobre a consistência das jornadas de Guts e seus companheiros.
O vasto e sombrio mundo criado por Kentaro Miura em Berserk sempre gerou fascínio não apenas por seus demônios e batalhas épicas, mas também pela construção de seu cenário. Recentemente, a representação cartográfica desse universo tem sido objeto de análise, levantando uma questão central para os leitores: existe um mapa consistente e oficial que define as localizações e distâncias percorridas por Guts e seu bando?
A série, conhecida por sua narrativa densa e desolação em cada novo território, apresenta viagens que parecem cobrir distâncias continentais, muitas vezes em períodos que desafiam uma cronologia estrita de deslocamento a pé ou a cavalo. Isso leva à especulação se a progressão geográfica é ditada puramente pela necessidade narrativa, ou se há uma geografia implícita, cuidadosamente arquitetada, que sustenta a história.
A Geografia da Fantasia e a Necessidade Narrativa
O arco da equipe de mercenários, a Banda do Falcão, por exemplo, os leva através de reinos em guerra, como Midland e os reinos vizinhos. Enquanto as batalhas são contextualizadas, a transição entre os grandes eventos, como a passagem do Continente Leste para regiões mais ao sul, por vezes parece carecer de marcos geográficos firmes que possam ser facilmente mapeados em uma única representação visual conhecida.
O desafio em criar um mapa definitivo reside na própria natureza da jornada do protagonista, Guts. Muitas vezes, seu caminho é ditado por eventos sobrenaturais, encontros com apóstolos ou a necessidade de escapar de perseguições. Em um mundo onde portais dimensionais ou anomalias temporais são possíveis, a noção tradicional de distância linear pode se tornar secundária à experiência emocional e tática dos personagens.
A Importância de uma Cosmografia
Para obras de fantasia épica como Berserk, o estabelecimento de um cânone geográfico é vital para a imersão. Um mapa funcional ajuda o leitor a compreender a escala das ambições dos personagens e a dificuldade de suas viagens. Se Guts está fugindo de uma ameaça que cobre um vasto território, a dimensão desse território precisa ser sentida.
A ausência de um mapa canônico amplamente aceito sugere que o foco de Miura estava em priorizar a experiência imediata e o drama em cada arco, usando o mundo como um palco mutável para a tragédia e a luta pela sobrevivência. O leitor e o estudioso da obra precisam preencher as lacunas espaciais com base nas referências contextuais dadas, aceitando que a lógica narrativa muitas vezes suplanta a lógica cartográfica.
A discussão permanece aberta sobre se o ambiente em Berserk deve ser entendido como um atlas meticuloso ou como um cenário fluido, moldado pelas necessidades dramáticas de um conto de vingança e sobrevivência contra forças ancestrais. Essa fluidez, paradoxalmente, contribui para a sensação de que o mundo é vasto e inexplorado, um lugar onde o perigo pode surgir de qualquer direção, independentemente da bússola.