A complexa relação entre muzan e kokushibo: O dilema do trauma e semelhança em kimetsu no yaiba

A reação de Muzan Kibutsuji a Tanjiro Kamado levanta questões sobre o verdadeiro gatilho de seu trauma, Songoku Yoriichi.

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Analista de Mangá Shounen

03/01/2026 às 14:45

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A figura de Muzan Kibutsuji, o progenitor dos demônios em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer), é definida por sua covardia e um trauma profundo enraizado no caçador de demônios Yoriichi Tsugikuni. A manifestação desse medo é clara toda vez que o vilão se depara com Tanjiro Kamado, devido à sua semelhança marcante com o lendário espadachim. No entanto, uma análise mais aprofundada da dinâmica entre Muzan e seus Luas Superiores revela uma peculiaridade intrigante sobre a natureza de seus gatilhos emocionais.

O pânico de Muzan ao encarar Tanjiro é sempre atribuído à lembrança imediata de Yoriichi, o único ser capaz de feri-lo gravemente no passado. A semelhança física e até mesmo o cheiro do jovem Kamado são suficientes para desencadear uma resposta de fuga no Rei dos Demônios, provando que, para ele, a causa do sofrimento passado é mais importante do que a força atual do oponente.

A ausência de reação a Kokushibo

O ponto central de questionamento surge quando se compara essa reação volátil com a presença de Kokushibo, a Lua Superior Um. Kokushibo não apenas serviu Muzan por séculos, mas também foi um colega de infância de Yoriichi, o que implica uma proximidade histórica e um conhecimento profundo da tragédia do clã Tsugikuni.

A questão que se estabelece é: por que a proximidade constante com Kokushibo, um ser que compartilhou a vida com a origem de seu maior tormento, nunca provoca em Muzan uma reação de pânico ou a mesma aversão demonstrada por Tanjiro? A diferença sugere que o medo de Muzan não é puramente sobre a memória do indivíduo Yoriichi, mas sim sobre uma combinação específica de fatores que ele associa à ameaça de aniquilação.

O papel da individualidade e da linhagem

Analisando o contexto narrativo de Kimetsu no Yaiba, podemos deduzir que a fobia de Muzan é altamente específica. A cor dos olhos, o penteado ou, mais crucialmente, a aura de pureza e o manejo da respiração solar que Tanjiro exibe, são os elementos que ativam o mecanismo de defesa de Muzan. Kokushibo, apesar de sua ligação com Yoriichi, transformou-se radicalmente em um demônio, perdendo as características visuais e espirituais que remetem ao caçador.

Enquanto Kokushibo é uma relíquia da era de Yoriichi, ele não é uma réplica. Ele representa a falha humana em transcender a dor através da imortalidade demoníaca, uma transformação que, ironicamente, o tornou inofensivo psicologicamente para Muzan. O demônio supremo teme a pureza e o poder que ele não conseguiu destruir, e não a mera proximidade com quem Yoriichi foi.

Portanto, a reação de Muzan é menos sobre o indivíduo em si e mais sobre o reflexo de seu fracasso passado. Ele projeta em Tanjiro a imagem viva de sua derrota, enquanto Kokushibo é apenas um servo poderoso, mas subserviente, que aceitou a escuridão. Esta distinção sublinha a profundidade da vulnerabilidade de Muzan, que reside mais em sua psique do que em ameaças tangíveis imediatas, como explorado em momentos cruciais da história, como discutido em análises sobre a narrativa Shonen mais ampla.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.