A natureza da maldade de griffith: Uma análise sobre a ausência de atos de assassinato direto na saga berserk

Uma análise detalhada da metodologia de Griffith para causar destruição, focando em se ele cometeu assassinatos diretos ou se suas ações indiretas foram o vetor da morte.

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Analista de Mangá Shounen

15/02/2026 às 00:06

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A figura de Griffith, o messiânico e manipulador líder da Tropa do Falcão no universo de Berserk de Kentaro Miura, sempre foi envolta em camadas de carisma e depravação. Uma observação pontual sobre sua trajetória sugere um padrão de atuação que difere de outros antagonistas com sangue literal em suas mãos: a ausência de registros claros de ele ter matado alguém diretamente com suas próprias armas, com exceção notável de um único indivíduo.

O debate se concentra na distinção crucial entre causar a morte e executar a morte. Há quem argumente que a crueldade de Griffith reside precisamente em sua capacidade de orquestrar eventos catastróficos, elevando-se moralmente ao posicionar outros para derramar o sangue necessário para seus objetivos. Seu plano para ascender ao status de Femto, por exemplo, resultou em um massacre indescritível que condenou seus antigos companheiros, mas a ação física da matança foi delegada ao sacrifício forçado e ao poder cósmico.

O caso Ganishka e a exceção à regra

O nome que surge como principal contra-argumento a essa teoria de 'mãos limpas' é Ganishka. O Imperador de Ash, depois de sua transformação em um Apóstolo e subsequente desafio ao novo Falcão de Luz, foi confrontado diretamente por Griffith. Neste embate, o ato de aniquilação parece ter sido executado de forma explícita pelo próprio Griffith, solidificando-o como um ponto de inflexão onde a manipulação deu lugar ao confronto final e fatal.

No entanto, fora desse confronto supremo, a maior parte da influência letal de Griffith manifesta-se de maneira reativa ou estratégica. Ele é um catalisador. O massacre da Tropa do Falcão durante o Eclipse é o exemplo máximo disso: sua decisão de sacrificar todos ao receber o Behelit do Sacrifício foi o gatilho para a carnificina orquestrada por Griffith e os Membros da Mão de Deus, não um ato de esfaqueamento singular.

A estratégia da distanciamento moral

Essa metodologia de causar morte por meio de resultados de suas ações, em vez de execução direta, reforça a natureza quase mítica e distante do personagem. Griffith opera como uma peça de xadrez jogada no tabuleiro do destino, onde cada movimento seu redesenha o mapa de poder, mas ele raramente precisa se sujar de maneira pessoal, exceto quando confrontado com ameaças diretas à sua nova forma de divindade. Ele prefere que seus seguidores, ou seus inimigos em desgraça, executem suas vontades mais sombrias.

Analisar a obra de Miura sob essa ótica revela que a verdadeira vilania de Griffith está menos no ato de tirar uma vida isoladamente e mais na arquitetura da destruição em larga escala que ele constrói implacavelmente, onde a morte é apenas a consequência inevitável de sua ambição suprema.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.