Novos personagens em jogos de naruto geram debate sobre a coerência das histórias originais
A introdução de um novo personagem em um game recente da franquia Naruto levanta questionamentos sobre a construção de poder e a originalidade dos OCs.
A expansão contínua do universo Naruto, especialmente através de mídias secundárias como os videogames, tem sido palco de intensas discussões sobre a preservação da mitologia estabelecida pela obra original de Masashi Kishimoto. Recentemente, a revelação de um personagem inédito em um dos mais recentes títulos da série despertou reações fortes entre os admiradores mais antigos.
O centro da controvérsia reside na ficha de poder e no papel narrativo atribuído a esta nova adição. Trata-se de uma figura feminina descendente do Clã Uchiha, ambientada no período dos Estados Combatentes (Sengoku Jidai), uma era conhecida pela intensa rivalidade ninja pré-fundação de Konoha.
Um poder comparável aos mestres do Sharingan
O aspecto mais criticado é o nível de habilidade concedido a esta personagem. Fontes internas ao desenvolvimento indicam que ela foi criada com um poder tão exorbitante que foi necessário selá-la, uma solução narrativa que ecoa momentos cruciais da história canônica, mas aplicada a uma figura não estabelecida anteriormente.
Mais especificamente, o personagem em questão é descrito possuindo as mesmas habilidades do Mangekyō Sharingan que pertenciam a Itachi Uchiha, um dos ninjas mais icônicos e poderosos do mangá Naruto. Compartilhar habilidades equivalentes a um Mangekyō, especialmente aquelas associadas a técnicas lendárias como o Tsukuyomi ou o Amaterasu, gera um desafio significativo para a escalabilidade de poder dentro da narrativa principal.
Preocupação com a saturação de personagens originais
Para muitos observadores, a construção deste personagem assemelha-se a um Original Character (OC) criado por um fã com o objetivo de ser excepcionalmente forte, muitas vezes apelidado no meio como self-insert. Isso sugere um receio de que os criadores de conteúdo anexo à franquia estejam recorrendo a soluções fáceis para criar antagonistas ou aliados memoráveis, ignorando a complexidade das linhagens sanguíneas e dos sacrifícios que definiram os ninjas originais.
A força desmedida de um Uchiha selado durante um período histórico já carregado de protagonistas complexos, como Madara e Izuna, levanta a questão sobre o valor narrativo que um novo personagem precisa oferecer para justificar sua existência, especialmente quando ele ofusca os feitos consolidados dos ninjas clássicos. A adaptação de propriedades intelectuais estabelecidas exige um equilíbrio tênue entre honrar o legado e inovar, um ponto que parece estar em xeque nesta mais recente incursão.
A tendência de introduzir figuras hiper-poderosas em jogos derivados já foi observada em outras franquias de luta e aventura, mas no contexto de Naruto, onde o tema do esforço, do trabalho em equipe e da superação de limites foi central, a criação de um poder intrínseco e quase divino para um novo Uchiha representa uma notável mudança de timbre na forma como as lendas da Vila da Folha são expandidas.
Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.