Novos personagens em jogos de naruto geram debate sobre a coerência das histórias originais

A introdução de um novo personagem em um game recente da franquia Naruto levanta questionamentos sobre a construção de poder e a originalidade dos OCs.

Analista de Anime Japonês
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02/02/2026 às 00:20

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Novos personagens em jogos de naruto geram debate sobre a coerência das histórias originais

A expansão contínua do universo Naruto, especialmente através de mídias secundárias como os videogames, tem sido palco de intensas discussões sobre a preservação da mitologia estabelecida pela obra original de Masashi Kishimoto. Recentemente, a revelação de um personagem inédito em um dos mais recentes títulos da série despertou reações fortes entre os admiradores mais antigos.

O centro da controvérsia reside na ficha de poder e no papel narrativo atribuído a esta nova adição. Trata-se de uma figura feminina descendente do Clã Uchiha, ambientada no período dos Estados Combatentes (Sengoku Jidai), uma era conhecida pela intensa rivalidade ninja pré-fundação de Konoha.

Um poder comparável aos mestres do Sharingan

O aspecto mais criticado é o nível de habilidade concedido a esta personagem. Fontes internas ao desenvolvimento indicam que ela foi criada com um poder tão exorbitante que foi necessário selá-la, uma solução narrativa que ecoa momentos cruciais da história canônica, mas aplicada a uma figura não estabelecida anteriormente.

Mais especificamente, o personagem em questão é descrito possuindo as mesmas habilidades do Mangekyō Sharingan que pertenciam a Itachi Uchiha, um dos ninjas mais icônicos e poderosos do mangá Naruto. Compartilhar habilidades equivalentes a um Mangekyō, especialmente aquelas associadas a técnicas lendárias como o Tsukuyomi ou o Amaterasu, gera um desafio significativo para a escalabilidade de poder dentro da narrativa principal.

Preocupação com a saturação de personagens originais

Para muitos observadores, a construção deste personagem assemelha-se a um Original Character (OC) criado por um fã com o objetivo de ser excepcionalmente forte, muitas vezes apelidado no meio como self-insert. Isso sugere um receio de que os criadores de conteúdo anexo à franquia estejam recorrendo a soluções fáceis para criar antagonistas ou aliados memoráveis, ignorando a complexidade das linhagens sanguíneas e dos sacrifícios que definiram os ninjas originais.

A força desmedida de um Uchiha selado durante um período histórico já carregado de protagonistas complexos, como Madara e Izuna, levanta a questão sobre o valor narrativo que um novo personagem precisa oferecer para justificar sua existência, especialmente quando ele ofusca os feitos consolidados dos ninjas clássicos. A adaptação de propriedades intelectuais estabelecidas exige um equilíbrio tênue entre honrar o legado e inovar, um ponto que parece estar em xeque nesta mais recente incursão.

A tendência de introduzir figuras hiper-poderosas em jogos derivados já foi observada em outras franquias de luta e aventura, mas no contexto de Naruto, onde o tema do esforço, do trabalho em equipe e da superação de limites foi central, a criação de um poder intrínseco e quase divino para um novo Uchiha representa uma notável mudança de timbre na forma como as lendas da Vila da Folha são expandidas.

Analista de Anime Japonês

Analista de Anime Japonês

Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.