Paralelos conceituais: A conexão entre a ideia do mal em berserk e a mitologia de persona 5
Análise explora semelhanças entre a entidade nascida da vontade humana em Berserk e o clímax de Persona 5.
Uma análise aprofundada em narrativas japonesas de fantasia sombria e RPG revelou notáveis paralelos conceituais entre o mangá Berserk, especificamente no capítulo 83, e o arco final do aclamado jogo Persona 5.
O ponto focal da comparação reside na natureza de certas entidades divinas presentes em ambas as obras: a Ideia do Mal em Berserk e o Santo Graal, manifestado como Yaldabaoth em Persona 5. Em ambos os casos, o cerne da questão é uma força de poder quase ilimitado que ascende não por decreto tradicional, mas como uma coalescência da psique humana.
A divindade forjada pelo desejo humano
Tanto a Ideia do Mal quanto Yaldabaoth compartilham a mesma gênese aterradora: são manifestações físicas ou espirituais nascidas da soma das vontades, desejos e crenças coletivas da humanidade. Esta entidade onipotente, que molda o destino e a realidade, é alimentada diretamente pelo anseio subconsciente das massas.
Em Persona 5, a personificação do Santo Graal existe para atender aos desejos humanos mais profundos, mesmo que estes sejam destrutivos ou egoístas, estabelecendo uma prisão confortável para a sociedade. De maneira semelhante, a Ideia do Mal em Berserk representa a própria estrutura metafísica que rege o ciclo de causalidade, sendo o resultado inevitável do desejo humano por conveniência e negação da dor.
Influências Junguianas e o inconsciente coletivo
A investigação sobre esses temas sugere que as semelhanças não são coincidências aleatórias, mas sim o uso de tropos filosóficos e psicológicos profundos, notadamente inspirados nas teorias de Carl Jung sobre o inconsciente coletivo.
O conceito junguiano postula uma camada psíquica compartilhada por toda a espécie, armazenando memórias e arquétipos universais. É plausível que criadores de diferentes mídias, explorando temas existenciais profundos, cheguem de forma independente a arquétipos semelhantes que personificam essa força coletiva, seja ela um parasita cósmico ou um salvador demoníaco.
A complexidade reside em como ambas as obras utilizam essas entidades para criticar a própria relação da humanidade com a verdade. Enquanto alguns aspectos do poder dessas divindades parecem conceder um refúgio ilusório, o preço é a estagnação moral e a perda da individualidade, temas centrais tanto na jornada de Guts em Berserk quanto na rebelião dos Phantom Thieves em Persona 5.
A exploração dessas narrativas fantásticas revela como a mídia japonesa frequentemente disseca a psicologia social através de lentes de horror e aventura fantástica, gerando ecos conceituais que ressoam profundamente com leitores e jogadores que se engajam em narrativas de grande escala.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.