Análise comparativa sugere paralelos temáticos entre personagens de kimetsu no yaiba e o fantasma da ópera
A profunda complexidade de certos personagens de KnY ressoa com arquétipos clássicos, como o enigmático Fantasma da Ópera.
Uma análise intrigante das dinâmicas e tragédias dos pilares e protagonistas de Kimetsu no Yaiba (KnY) revela surpreendentes semelhanças com figuras clássicas da literatura e do teatro, notadamente a obra O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux. A comparação foca em temas como o sofrimento oculto, a obsessão protetora e a rejeição social.
O arquétipo do sofrimento velado
O ponto central desta correlação reside na figura de Obanai Iguro. Este Hashira, conhecido por seu comportamento reservado e a máscara que esconde cicatrizes faciais severas, apresenta um paralelo imediato com Erik, o Fantasma. Assim como Erik utiliza sua máscara para ocultar uma deformidade que o condena ao isolamento e à escuridão dos bastidores, Obanai vive envolto em segredos relacionados à sua aparência e passado traumático.
O Fantasma é movido pelo amor não correspondido e por uma devoção quase doentia a Christine Daaé. Esta infatuação, que oscila entre a proteção extrema e o controle obsessivo, espelha a natureza possessiva da afeição de Obanai por Mitsuri Kanroji. Em ambos os casos, um profundo senso de inadequação, moldado por um passado de abuso ou exclusão, alimenta um apego intenso, visto por terceiros como potencialmente malsão ou desequilibrado.
Outras ressonâncias temáticas na série
Embora Obanai seja o mais evidente ponto de encaixe, a natureza cíclica dos dramas de Kimetsu no Yaiba permite estender a análise para outros personagens que lidam com traumas ocultos e amores perdidos. A tragédia inerente a muitos caçadores de demônios e até mesmo a certos demônios, que sofreram rupturas sociais ou perdas irreparáveis, ecoa a atmosfera gótica e melancólica da história do Fantasma.
A capa protetora que os personagens usam, seja ela literal como a cobra de Obanai ou metafórica como a fachada de indiferença de outros Hashiras, serve para manter o mundo à distância, protegendo tanto sua vulnerabilidade quanto a pureza de seus ideais. Essa necessidade de se esconder ressalta como o trauma molda a identidade e os relacionamentos interpessoais dentro do universo criado por Koyoharu Gotouge.
A intensidade com que esses indivíduos se dedicam a seus objetivos, muitas vezes sacrificando a própria felicidade ou bem-estar, faz com que as narrativas de KnY se conectem com arquétipos universais de amor, dor e redenção. A exploração dessas profundezas emocionais, seja no Japão feudal ou nos porões de uma casa de ópera parisiense, atesta o poder duradouro de contos sobre almas torturadas buscando aceitação.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.