A complexidade do 1% mais odiado: Análise dos personagens mais controversos de berserk

Uma análise profunda revela quais figuras da saga Berserk catalisam as reações mais negativas entre os leitores devotados.

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Analista de Mangá Shounen

12/01/2026 às 06:23

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A complexidade do 1% mais odiado: Análise dos personagens mais controversos de berserk

A obra-prima sombria de Kentarou Miura, Berserk, é notória por sua jornada brutal e personagens moralmente ambíguos. A intensidade da narrativa frequentemente força os leitores a confrontar o lado mais sombrio da natureza humana, gerando, naturalmente, uma lista de antagonistas e figuras cujas ações são quase universalmente condenadas.

Um levantamento dos personagens que mais despertam aversão entre os fãs revela um padrão claro: aqueles que representam a traição suprema aos laços humanos, a crueldade sádica e a perversão da ordem estabelecida. No topo dessa lista, frequentemente se encontra Wylad, cuja notoriedade decorre de atos de violência extrema e degradação moral, estabelecendo um padrão inicial de maldade que poucos conseguem superar em termos de repulsa imediata.

Arquitetos da Desgraça e a Perversão do Poder

Seguindo logo abaixo, a figura do Imperador Ganishka ocupa um lugar de destaque. Governante tirânico cuja busca incessante por iluminação e poder o levou a cometer atrocidades inimagináveis, Ganishka simboliza a corrupção absoluta inerente ao domínio sem freios. Sua devoção cega e os sacrifícios humanos que promove solidificam seu lugar como uma das figuras mais detestadas da série.

Naturalmente, o terceiro lugar é reservado a Griffith, uma figura cuja dualidade é o cerne de muitos debates apaixonados. Embora suas ações, especialmente após o Eclipse, sejam o ápice da traição na história, alguns leitores contextualizam sua ascensão. Mesmo reconhecendo os atos hediondos que cometeu, a percepção é que, em certos estágios posteriores da trama, ele realiza feitos que poderiam, sob uma ótica estrita e limitada, ser vistos como atos de salvação ou ordem, embora esses atos sejam maculados pela origem de seu poder.

Os Espinhos da Inquisição e a Evolução Dolorosa

O ponto de vista sobre a Inquisição é sempre carregado de sentimentos fortes. Mozgus, o líder fanático, representa o terror institucionalizado e a hipocrisia religiosa levada ao extremo. Sua doutrinação violenta e o sofrimento que inflige em nome de uma fé distorcida o colocam firmemente entre os vilões mais odiados pelos leitores. Ele personifica o perigo da autoridade não questionada.

Curiosamente, a lista é completada por Farnese, mas com uma ressalva temporal crucial: especificamente antes de sua jornada de redenção e aceitação ao lado de Guts. Sua fase inicial, marcada pelo fanatismo extremo e a submissão cega ao dogma opressor, gerou grande fricção com o público. Ver a personagem evoluir e superar esses traumas é, para muitos, parte do fascínio da narrativa, mas sua versão inicial é inequivocamente marcada pela rejeição.

A hierarquia dessas aversões demonstra que, em Berserk, o ódio mais profundo é reservado àqueles que escolhem ativamente a crueldade e a destruição dos laços afetivos, superando até mesmo os inimigos cuja maldade é mais direta ou menos calculada. O impacto dessas figuras é fundamental para medir a profundidade moral da saga de Miura.

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Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.