A polêmica sobre o arco das formigas quimera de hunter x hunter: Análise das críticas ao ritmo e foco narrativo
Enquanto o arco das Formigas Quimera em Hunter x Hunter é aclamado, uma perspectiva contrária aponta problemas sérios de ritmo e foco narrativo, gerando debate.
O arco das Formigas Quimera em Hunter x Hunter é frequentemente celebrado como um dos pontos altos da narrativa de Yoshihiro Togashi, conhecido por sua profundidade moral e escala épica. Contudo, uma visão crítica emergente questiona a recepção majoritária, apontando falhas significativas no desenvolvimento da trama que transformam a experiência de visualização em um desafio para alguns espectadores.
O Desafio do Ritmo: Uma Luta Contra o Tempo
Um dos pontos de maior discórdia reside no ritmo da animação, especialmente durante os confrontos centrais. A sensação de que a narrativa se arrasta é palpável. Houve momentos notórios, como a batalha contra Meruem, onde a contagem de tempo na tela divergia drasticamente da progressão dramática, indicando uma entrega de conteúdo extremamente lenta. Essa desaceleração é vista por alguns como um desperdício intencional da atenção do público, gerando frustração progressiva.
Essa lentidão se acentua pela maneira como a história gerencia seu foco. Em vez de concentrar a ação nos protagonistas principais, a narrativa faz desvios extensos para personagens secundários ou até mesmo para subtramas que parecem desconectadas por longos períodos. O foco em figuras que não são Gon ou Killua durante momentos cruciais da crise das Formigas Quimera é interpretado como um desvio desnecessário do arco motor principal.
A Gestão de Elencos Secundários e o Narrador Intrusivo
Outra crítica pertinente diz respeito ao tratamento de figuras importantes do elenco que são temporariamente retiradas de cena. Membros da Trupe Fantasma, como Hisoka e Chrollo, que possuem arcos envolventes, são introduzidos apenas para serem deixados de lado abruptamente. Paralelamente, personagens centrais como Kurapika e Leorio parecem ter sua relevância diminuída a ponto de serem quase esquecidos durante a longa jornada contra as formigas.
Essa falta de consistência no foco é curiosa, especialmente considerando o aumento da violência gráfica no arco, algo incomum se comparado às primeiras aventuras da série, que possuíam um tom geralmente mais leve. Para alguns, a mudança para um conteúdo mais sombrio e sangrento pode ter mascarado as questões estruturais da trama, sendo vista como uma novidade que perde o impacto rapidamente.
Intriga também o uso crescente do narrador onipresente. Enquanto a narração deve servir para aprofundar o contexto, aqui ela é percebida como excessivamente detalhista em aspectos superficiais, ao mesmo tempo que falha em prover o esclarecimento necessário sobre os desenvolvimentos emocionais complexos. A sensação é de que o recurso impede, em vez de auxiliar, a imersão do espectador na complexidade moral introduzida por inimigos como o Rei das Formigas Quimera, Meruem.
Com a série se aproximando de seu fim narrativo, a concentração de arcos em aberto gera uma pressão significativa para que os episódios finais consigam amarrar todas as pontas soltas. A maneira como o arco das Formigas Quimera foi estruturado levanta questões importantes sobre a gestão de pacing em longas sagas de anime, e seu legado permanece polarizado entre a aclamação pela profundidade e a reprovação pela execução temporal.