A polarização moral de griffith em berserk: Analisando a controvérsia sobre o vilão
A jornada de Griffith em Berserk divide leitores sobre sua moralidade, focando no sacrifício e ambição.
A ascensão e as escolhas de Griffith na obra Berserk, especialmente após o fatídico Eclipse, continuam a gerar intensos debates entre os entusiastas da série de Kentaro Miura. Um ponto central dessa discussão reside na dificuldade que novos leitores, ao se depararem com os eventos do volume 13, encontram para compreender como um personagem com tamanha capacidade de carisma e liderança pode ser percebido por parte da base de fãs como, em certa medida, justificado ou compreensível em seus atos finais.
O peso da ambição e o sacrifício
Para quem está começando a leitura de Berserk, a figura de Griffith, inicialmente apresentada como um líder visionário e o sonho da Banda do Falcão, transforma-se radicalmente em um catalisador de tragédia. A questão que surge é: como conciliar a imagem do herói aspiracional com o antagonista que comete atos de extrema crueldade para alcançar seu desejo de possuir seu próprio reino?
Aqueles que defendem uma leitura menos condenatória da trajetória de Griffith frequentemente apontam para o contexto da sua vida pré-Eclipse. A narrativa explora profundamente o desejo incontrolável do personagem de transcender a mortalidade e a mediocridade. Para ele, o sonho não era apenas um objetivo, mas uma necessidade existencial. O sacrifício de sua humanidade e de seus companheiros mais leais é visto, sob uma ótica puramente utilitarista e focada na meta, como o preço necessário para seu destino.
A dicotomia entre objetivo e método
O cerne da controvérsia reside na separação entre o objetivo final e os métodos empregados. Enquanto o desejo de Griffith por um reino e o poder absoluto é o motor de sua história, a forma como ele alcança esse poder - através da traição e do massacre ritualístico da Banda do Falcão - é inegavelmente hedionda. O contraste entre o messias carismático e o demônio que emerge após o sacrifício é brutal e intencional.
A interpretação sobre a “inocência” de Griffith se apoia, muitas vezes, na ideia de que ele foi moldado por suas circunstâncias e pelo destino imposto pelas forças cósmicas do mundo de Berserk. O personagem, ao aceitar o influxo do Idea of Evil, subverte completamente a linha tênue entre a tragédia romântica e o horror existencial. É uma análise que força o público a confrontar personagens movidos por uma ambição tão louca que anula a ética convencional.
A complexidade de Griffith, portanto, reside em sua capacidade de inspirar devoção fervorosa em seus seguidores, enquanto simultaneamente encarna a maior fonte de dor para o protagonista Guts. Essa dualidade é o que garante que sua figura permaneça um dos temas mais debatidos dentro da mitologia de Kentaro Miura, desafiando categorizações simples de bem e mal. A obra força o leitor a ponderar até que ponto a grandeza visionária pode justificar um mal inimaginável.