A possibilidade de suicídio em killua zoldyck: Uma análise psicológica de lealdade e falha
A discussão sobre o limite da dedicação de Killua a Gon explora seu passado sombrio e a pressão de proteger o amigo em momentos críticos.
A trajetória de Killua Zoldyck, um dos personagens centrais de Hunter x Hunter, é marcada por uma fuga constante do seu destino como assassino nascido na família Zoldyck. No entanto, o ponto de ruptura de Killua frequentemente reside em sua inabalável lealdade a Gon Freecss. Uma análise aprofundada do personagem leva a questionar: sob extrema pressão de falha, o adolescente tentaria tirar a própria vida?
Essa linha de raciocínio sobre o desespero extremo ecoa momentos dramáticos previamente apresentados na franquia, embora muitas vezes situados fora do cânone principal da obra de Yoshihiro Togashi. Um exemplo notório envolve uma cena em que Killua demonstra uma autocrítica severa, chegando a cogitar o suicídio após acreditar ter falhado com Gon, especificamente ao não conseguir impedir que os olhos do amigo fossem ameaçados por Illumi Zoldyck. O terror de não conseguir proteger seu primeiro e mais importante amigo levou-o a um estado de auto-rejeição perigoso.
O peso da expectativa e o condicionamento familiar
Para entender a profundidade dessa possibilidade, é crucial considerar o histórico de Killua. Criado desde o nascimento para ser um executor frio e eficiente, a vida sob o jugo da família Zoldyck impôs um código de conduta rigidíssimo, onde a fraqueza e a falha eram inaceitáveis. Ao se libertar, Killua transferiu essa necessidade de perfeição e sucesso para sua missão pessoal: garantir a segurança de Gon.
Seu desenvolvimento psicológico mostra que, para ele, Gon não é apenas um amigo; ele é a âncora que o puxa para fora da escuridão da sua linhagem assassina. A percepção de ter traído ou decepcionado Gon de forma irreparável, resultando em dano físico ou emocional permanente ao amigo, toca diretamente no núcleo do seu trauma. A falha em cumprir este papel protetor seria, na visão distorcida pelo seu condicionamento, equivalente a uma sentença de inutilidade, um caminho que o levaria de volta ao ciclo de ser uma mera ferramenta.
Suicídio versus Abandono: A escolha mais provável
A pergunta central que surge desse dilema tem duas vertentes: a autodestruição ou o autoexílio. Embora o impulso de autodepreciação seja forte, é importante ponderar se o instinto de sobrevivência de um personagem com sua capacidade física e mental o levaria ao ato final.
Por um lado, o desespero extremo poderia catalisar uma reação impulsiva e fatalista, alinhada com a natureza impiedosa que ele tentou reprimir por tanto tempo. Por outro lado, a ligação com Gon o salvou daquela vida. Se Killua sentisse que falhou, a reação mais coerente com seu desejo de redenção e seu medo de retornar ao passado seria o abandono. Ele poderia escolher desaparecer, sentindo-se indigno de estar ao lado de Gon, preferindo se isolar a repetir o erro fatal.
Em última análise, a representação canônica de Killua demonstra que, mesmo em momentos de crise profunda, como durante a luta contra seu irmão Illumi, sua motivação primária permanece sendo o bem-estar de Gon. Isso sugere que, se confrontado com a traição definitiva, a dor mental e emocional o forçaria a uma forma de autoexílio, uma punição que ele imporia a si mesmo, em vez de um fim imediato, mantendo viva a possibilidade, ainda que remota, de um futuro reencontro e reparação.