A busca por protagonistas menos poderosos em animes de fantasia e ação
A narrativa de animes de fantasia e isekai frequentemente se apoia no poder avassalador do protagonista, mas há um crescente interesse em obras onde o herói não é o mais forte.
O arquétipo do protagonista onipotente, capaz de superar qualquer desafio com um aumento repentino de poder, domina grande parte do cenário contemporâneo de animes de fantasia, luta e isekai. No entanto, uma tendência silenciosa aponta para a valorização de narrativas onde o personagem principal (MC) não detém o título de ser o indivíduo mais forte do universo da obra.
O fascínio pela vulnerabilidade e crescimento genuíno
A atração por MCs que precisam depender de estratégia, inteligência ou do apoio de aliados mais poderosos reside na criação de um arco de personagem mais orgânico e envolvente. Quando o herói já começa no topo, a tensão dramática diminui, pois o resultado mais provável de qualquer conflito é a vitória fácil. Por outro lado, acompanhar um personagem que enfrenta limitações reais obriga os criadores a desenvolverem o enredo de maneira mais criativa.
Em ambientes de fantasia ou luta, a ausência de força absoluta força o protagonista a explorar outros aspectos de seu repertório. Isso pode incluir o desenvolvimento de habilidades especializadas pouco convencionais, um foco maior em políticas e diplomacia, ou uma dependência intensa de um sistema de magia ou tecnologia menos direto. A vulnerabilidade, neste contexto, torna-se um motor narrativo fundamental.
Subvertendo a fórmula isekai e de ação
Muitos animes isekai, que envolvem a transferência de um indivíduo para um mundo alternativo, tropeçam ao apresentar um MC ridiculamente overpowered logo após a transição. O desafio para os estúdios e roteiristas é explorar o potencial dramático de um personagem que, mesmo tendo conhecimento do mundo moderno, precisa aprender a lutar contra adversários que são intrinsecamente mais poderosos em termos de combate físico ou controle de mana.
Séries que conseguem equilibrar o poder e a fraqueza do MC demonstram que a jornada de aprendizado é mais satisfatória para o espectador. A recompensa não é apenas um novo nível de poder, mas a conquista de respeito e posição através do esforço contínuo, e não da concessão de um dom superior. Um bom exemplo de abordagem sutil é observar como personagens em obras como Attack on Titan, por exemplo, embora desenvolvam grande força, lutam constantemente contra ameaças que os superam em escala e número inicial.
A exploração bem-sucedida desse tema geralmente exige um mundo bem construído, onde as hierarquias de poder são claras e as consequências das falhas são sentidas de forma palpável. A busca por essas narrativas indica um amadurecimento do público, que anseia por histórias onde a vitória é suada, e onde o protagonista prova seu valor apesar de não possuir a força bruta dominante.