A psicologia por trás de griffith: O vazio deixado pelo sacrifício e a coleção de poder

Uma análise profunda sugere que o fetiche de Griffith por acumular poder e aliados pode ser uma tentativa desesperada de preencher o vazio existencial criado pelo Eclipse.

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Analista de Mangá Shounen

14/03/2026 às 22:09

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A ascensão de Griffith ao patamar de Femto, um dos Apóstolos de Deus ou God Hand, é um evento central e aterrorizante na narrativa de Berserk. No entanto, a maneira como ele interage com seu novo status e seu exército de seguidores sugere uma motivação mais complexa e, talvez, melancólica, além da simples busca por poder.

Uma interpretação corrente aponta que, apesar de ter obtido o poder absoluto que tanto almejava, este poder serve como um mecanismo de compensação para uma perda irreparável. Ao sacrificar a Bando do Falcão, Griffith não apenas se transformou, mas também apagou as relações humanas que o definiam. O novo ser divino parece estar, paradoxalmente, mais ligado aos vestígios do seu passado humano do que nunca, especialmente a Guts.

O colecionador de brinquedos divinos

A aquisição de aliados poderosos e monstros sob seu comando, como visto em suas campanhas militares, pode ser vista como a manifestação de um desejo infantil de preencher um buraco emocional. Analistas sugerem que Griffith está coletando um vasto arsenal de troféus e forças, comparável a uma criança mimada que acumula brinquedos caros sem real apreciação.

Nesta analogia, cada herói ou força monstruosa incorporada ao seu exército não seria um passo em direção a um sonho maior, mas sim um objeto destinado a ocupar o espaço deixado pela lealdade e afeto sinceros que ele sacrificou. O que ele realmente amava - aquele que ele via como um “companheiro quase despedaçado” - é irrecuperável, e tudo o mais serve apenas para mascarar essa ausência fundamental.

O congelamento emocional e a dependência de Guts

A transformação em um membro da God Hand representa o ápice da frieza e da alienação, um estado quase congelado de existência. Sem a capacidade de sentir empatia ou apego humano genuíno, Griffith precisa de um ponto focal externo para validar sua nova realidade. Guts, o Espadachim Negro, torna-se esse ponto focal definitivo.

Para Griffith, que transcendeu a condição humana, a obsessão por Guts não é apenas vingança ou rivalidade; é a única forma de manter um elo tangível com a pessoa que ele foi. Ao reunir exércitos e conquistar reinos, ele parece estar construindo um palco gigantesco onde sua única interação significativa restante - a perseguição e o confronto com Guts - pode ocorrer.

A análise dessas ações sugere que, mesmo como um deus, Griffith permanece prisioneiro das consequências emocionais de sua escolha transcendental. O poder ilimitado não trouxe plenitude, mas sim a confirmação melancólica de tudo o que foi destruído em nome da ambição. Mergulhar na complexidade psicológica de personagens como Griffith é essencial para entender a profundidade do drama proposto por Kentaro Miura em Berserk.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.