A psique do criminoso em foco: Mangás e light novels exploram o colapso mental após o ato ilícito
A literatura e o mangá exploram com profundidade o estado mental de quem comete um crime, focando no pânico e na fuga.
A representação do crime na ficção transcende a mera transgressão da lei: cada vez mais, obras do entretenimento japonês, como mangás e light novels, mergulham na complexa teia psicológica daqueles que cruzam a fronteira moral e legal. O fascínio reside em testemunhar o colapso mental de um indivíduo no momento da ação, o pânico sentido ao temer ser descoberto ou os mecanismos mentais ativados para escapar de situações desesperadoras.
Este nicho narrativo oferece perspectivas emocionais raras, diferindo das histórias convencionais. A obra literária seminal que pavimentou este caminho é, inegavelmente, Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski, um texto que serviu de alicerce para inúmeras explorações desse gênero.
Novos horizontes no mangá
Diversas publicações recentes têm abordado a temática com abordagens variadas. Um exemplo notável é My Home Hero, que se destaca pela cooperação entre um pai e sua esposa na tentativa de encobrir um ato ilícito. Diferente de outras narrativas, o protagonista desta obra não demonstra um sofrimento psicológico profundo ou remorso imediato. O conflito central é externo, focado na necessidade de ocultar o crime da máfia e enfrentar suas consequências diretas.
Em uma escala menor, mas de grande impacto emocional, está o mangá Onani Master Kurosawa (utilizando o título japonês). Embora o ato central não seja um crime de grande magnitude como um homicídio, a obra é elogiada por sua capacidade de retratar os aspectos emocionais complexos de forma intensa, merecendo reconhecimento por sua brevidade e profundidade.
Explorando impulsos e contensão
A luta contra impulsos antissociais é outro pilar dessas narrativas. O mangá I want to punch women, por exemplo, é frequentemente mal interpretado devido ao seu título controverso. A história segue um jovem assombrado pela incapacidade de controlar o desejo de agredir mulheres por quem sente atração, um trauma originado na infância. A trama explora a jornada de autoisolamento do protagonista e sua tentativa de superação com a ajuda de terceiros, focando na luta contra esses impulsos destrutivos, apesar de ter sido interrompido precocemente pelo autor.
Já o mangá To my dearest self with malice aforethought apresenta uma abordagem mais direta ao lado sombrio da mente. A trama gira em torno de um protagonista cuja personalidade alterna com a de um assassino com uma mentalidade fria. A obra captura a atenção ao explorar essa dualidade, resultando em uma experiência de leitura viciante, embora a lembrança dos detalhes exatos varie entre os leitores.
O lado sombrio da justiça
Para adicionar uma camada de complexidade ao gênero de investigação, surge Spica of crime and punishment. Este mangá episódico em andamento foca em uma garota com a habilidade paranormal de ler pensamentos através do toque. Ela utiliza esse poder para caçar assassinos em série não capturados. O que o torna singular é a natureza da protagonista, que demonstra traços de sociopatia ou psicopatia, lidando com criminosos de maneiras que se desviam do arco heroico tradicional do detetive aliado da justiça. Um ponto de atenção, contudo, é a estrutura narrativa que, apesar de parecer um mistério tradicional, utiliza o recurso da pista falsa de forma extensiva, tornando difícil para o leitor identificar o culpado antes da revelação final, mas mantendo o interesse elevado.
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Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.