As raízes literárias ocultas: Investigando as obras que moldaram a escuridão épica de berserk

Uma análise aprofundada das possíveis influências literárias que pavimentaram o caminho para a grandiosidade sombria de Berserk, a obra-prima de Kentaro Miura.

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Analista de Mangá Shounen

12/01/2026 às 10:04

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As raízes literárias ocultas: Investigando as obras que moldaram a escuridão épica de berserk

O universo de Berserk, criado pelo mestre Kentaro Miura, é notoriamente denso, combinando fantasia medieval, horror corporal e dramas shakespearianos em uma escala épica. Embora sua influência artística seja vasta, reconhecida em incontáveis mídias, a gênese de sua mitologia e a profundidade filosófica de sua narrativa encontram raízes significativas em fontes primárias, muitas delas literárias.

A complexa tapeçaria de Berserk, que navega pela corrupção da igreja, a luta contra o destino e a natureza implacável da ambição humana, parece dialogar com obras clássicas que exploraram estes temas séculos antes. Uma das intersecções mais evidentes é com narrativas que tratam da queda de figuras heroicas e da batalha contra forças transcendentais.

A influência da literatura clássica e do simbolismo

Pesquisas sobre as referências de Miura frequentemente apontam para a literatura europeia, especialmente aquela com forte teor alegórico e teológico. O próprio conceito de um guerreiro amaldiçoado, forçado a lutar contra demônios e a repressão de um mundo cruel, evoca ecos de narrativas sobre penitência e busca incessante. A estética visual, com seus castelos góticos e paisagens desoladas, dialoga diretamente com o imaginário associado a autores do período romântico e gótico, que exploravam o sublime e o terror.

Embora Miura nunca tenha fornecido uma lista exaustiva e definitiva de suas influências bibliográficas, a estrutura narrativa e as motivações dos antagonistas sugerem uma familiaridade com textos que abordam a transição entre a fé ingênua e o niilismo existencialista. A traição e o sacrifício, pilares centrais da saga de Guts e Griffith, são temas recorrentes em grandes tragédias mundiais.

Paralelos com o mito e a filosofia

A profundidade filosófica que levou Berserk a transcender o rótulo de apenas um mangá de fantasia reside em como Miura utiliza o horror não apenas como espetáculo, mas como comentário social e existencial. A natureza do Behelit, um objeto que força o portador a um pacto com o sobrenatural em troca de poder ou realização pessoal, pode ser vista como uma alegoria moderna sobre a ambição corporativa ou política, um preço pago pela ascensão.

Adicionalmente, a construção de seu mundo fantástico, repleto de ordens de cavaleiros e instituições religiosas permeadas por corrupção, remete a estudos da história medieval, mas filtrados pela lente da literatura que desmistifica a cavalaria e expõe a brutalidade sob o verniz da honra. A exploração da psique humana frente ao sofrimento extremo, característica central da obra, é um campo vasto que autores como Friedrich Nietzsche influenciaram indiretamente no pensamento sobre a moralidade em contextos extremos, embora a conexão direta seja especulativa.

A jornada incansável de Guts, o espadachim negro, é menos sobre a luta contra um mal único e mais sobre a reafirmação da vontade individual em um cosmos aparentemente indiferente ou, pior ainda, malévolo. Essa resiliência personificada faz da saga uma meditação contínua sobre o que significa perseverar quando todas as esperanças racionais foram destruídas, ecoando temas encontrados em narrativas de sobrevivência épica.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.