Releitura profunda desvenda kaguya ōtsutsuki como alegoria do próprio mundo ninja em naruto

Uma nova perspectiva analisa Kaguya Ōtsutsuki não como mera vilã, mas como a personificação do conceito de guerra

Analista de Anime Japonês
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31/01/2026 às 19:13

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Uma análise aprofundada sobre o papel de Kaguya Ōtsutsuki na saga final de Naruto aponta para uma função narrativa muito mais simbólica do que inicialmente percebida. Longe de ser apenas um obstáculo final, Kaguya emerge como uma personificação da própria natureza cíclica de conflito e dor que define o universo shinobi.

Kaguya: A Origem do Conflito

O ponto central desta interpretação reside na ideia de que Kaguya não é simplesmente uma antagonista com objetivos pessoais, mas sim a própria essência do mundo ninja. Ela introduziu o chakra à humanidade, o que, segundo essa leitura, acendeu a chama para todos os subsequentes banhos de sangue e guerras. Essa introdução do poder seria comparável à chegada de tecnologias disruptivas na nossa realidade, como as armas de fogo ou nucleares, que alteram permanentemente a dinâmica social e criam novas formas de conflito.

Enquanto Madara Uchiha funciona como o vilão final tradicional, investido de personalidade e objetivos claros para o espectador, Kaguya assume um papel alegórico. Enfrentá-la é, simbolicamente, lutar contra a fonte primária de trauma coletivo que assola os ninjas. A passividade verbal de Kaguya, com Zetsu Negro atuando como sua voz, reforça essa ideia. Zetsu se torna a personificação da 'vontade' do mundo ninja de perpetuar o ciclo de ódio.

A Derrota Conceitual: Selamento em vez de Destruição

O método utilizado para derrotar Kaguya cimenta essa interpretação simbólica. A equipe Kakashi percebe que não pode aniquilá-la fisicamente, pois ela transcende a existência corpórea para se tornar um conceito. A solução encontrada foi o selamento, utilizando a técnica dos Seis Caminhos que envolve o equilíbrio do chakra Yin e Yang.

O Yin Yang, representando o equilíbrio entre forças opostas, é interpretado como a necessária harmonia que pode neutralizar a guerra e a violência. A paz, neste contexto, não é apenas a ausência de luta, mas o equilíbrio dinâmico com a própria possibilidade do conflito. É um reconhecimento de que a violência e a paz são faces da mesma moeda, um tema recorrente na obra de Masashi Kishimoto.

Essa visão ganha peso quando observada o desfecho da jornada dos protagonistas. O gesto final de Naruto e Sasuke, que explicitamente fazem o sinal da paz após sua última e crucial batalha, parece ecoar a resolução alcançada ao selar Kaguya. A narrativa, portanto, sugere que a superação final não vem apenas da força bruta ou superioridade de poder, mas da aceitação e balanceamento dessas dualidades inerentes à existência humana e ao mundo estabelecido.

Para aqueles que buscam profundidade além dos confrontos de poder, essa estrutura revela uma conclusão filosófica poderosa. Kaguya é apresentada como a materialização de um problema sistêmico, cuja solução exige uma mudança fundamental no entendimento da própria realidade shinobi, alinhando-se com as lições plantadas desde os arcos iniciais da aclamada série.

Analista de Anime Japonês

Analista de Anime Japonês

Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.