As repercussões emocionais dos capítulos finais de berserk e a busca por um desfecho catártico

Os eventos recentes em Berserk geram frustração por um final que contraria a expectativa de resolução épica para Guts e Casca.

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Analista de Mangá Shounen

20/01/2026 às 16:08

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A conclusão de arcos narrativos complexos em obras de longa data frequentemente gera intensas reações entre os leitores, e o mangá Berserk não é exceção. Os capítulos mais recentes têm provocado um sentimento de insatisfação em parte da base de fãs, que esperavam uma resolução mais direta e satisfatória para o conflito central da saga.

O ponto de discórdia reside na forma como o trauma e os relacionamentos dos personagens principais foram tratados após eventos cruciais. A recuperação de Casca, que retorna à sua lucidez, em vez de ser um marco de triunfo, desencadeou novos traumas. A incapacidade dela de suportar a presença de Guts reacendeu feridas profundas, complicando o que muitos viam como o caminho natural para o alívio narrativo.

O retorno da ameaça e a desestabilização de Guts

A súbita intervenção de Griffith, manifestando-se através da figura do “Moon Child”, e o subsequente sequestro de Casca, deixaram Guts em um estado de desespero profundo. Para muitos leitores, a reação de Guts a essa perda, caracterizada por um colapso emocional e físico, embora compreensível dada a imensidão de sua jornada de sofrimento, pareceu minar anos de desenvolvimento focado na superação.

A expectativa primária de uma grande fatia do público era testemunhar o clímax da vingança: um confronto épico e decisivo entre Guts e Griffith, seguido pela possibilidade de um futuro pacífico para Guts e Casca. Essa fantasia de um final feliz, o “happily ever after”, tornou-se um desejo quase palpável para quem acompanha a luta contra o destino imposta pelo Eclipse.

A tensão entre a narrativa sombria e a necessidade de catarse

A obra de Kentaro Miura, continuada por Kouji Mori e o estúdio Gaga, sempre navegou nas águas mais escuras da tragédia humana e do horror fantástico. No entanto, a manutenção de um ciclo de dor, onde os avanços são imediatamente revertidos por tragédias ainda maiores, atinge um ponto de saturação para alguns espectadores. A frustração surge da dissonância entre o investimento emocional na perseverança do protagonista e a aparente ausência de um alívio duradouro.

Essa sensação de aprisionamento narrativo, onde o protagonista é repetidamente impedido de alcançar a paz merecida, é descrita como uma “espinha mental”, um incômodo persistente que desafia a satisfação esperada ao aproximar-se da conclusão de uma história tão fundamental no mundo dos mangás de fantasia sombria. A busca incessante por redenção, que é a essência de Berserk, continua a operar em um ciclo que, embora artisticamente coerente com o tom da obra, deixa um desejo insaciável de ver o herói, finalmente, descansar de sua batalha.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.