O retorno de hashiras mortos no capítulo final do mangá de kimetsu no yaiba gera questionamentos sobre a narrativa
O capítulo 205 do mangá de Kimetsu no Yaiba deixou leitores confusos com o aparente retorno de Hashiras falecidos, gerando debate.
O desfecho da saga de Kimetsu no Yaiba, após intensas batalhas contra Muzan Kibutsuji, trouxe uma resolução que, embora emocionante para muitos, gerou pontos de interrogação substanciais na base de fãs. Especificamente, o capítulo final da série de mangá, o capítulo 205, apresentou um momento que desafiou a lógica estabelecida sobre a morte dos Pilares (Hashiras) que pereceram no conflito.
Esta publicação em particular chamou a atenção por focar na perplexidade de um leitor diante da reintrodução, ainda que breve ou visualmente implícita, de personagens que tiveram fins trágicos e definitivos durante o clímax da Guerra contra os demônios. A narrativa havia estabelecido um custo altíssimo pela vitória, com vários dos guerreiros de elite perdendo suas vidas em serviço à humanidade.
A ambiguidade do retorno pós-morte
O ponto central da confusão reside na maneira como esses Hashiras são apresentados após o fim oficial da batalha. Para o leitor que acompanhou toda a jornada e aceitou o sacrifício extremo desses personagens, ver figuras como Rengoku, Shinobu ou Tengen em um contexto pós-conflito parece quebrar a consistência do tom dramático construído ao longo da obra de Koyoharu Gotouge. A temática central de Kimetsu no Yaiba sempre caminhou na linha tênue entre a esperança e a perda devastadora.
Em obras de longa duração, é comum que os autores utilizem recursos narrativos, como visões, sonhos ou inserções em capítulos bônus, para revisitar personagens queridos. A questão levantada é se estas aparições no capítulo derradeiro se enquadram em um recurso de alívio cômico ou emocional, ou se representam uma tentativa de mitigação da dor da perda para o protagonista Tanjiro Kamado e para o público.
Quando a morte no mangá é tratada com seriedade e consequências permanentes, qualquer reversão, mesmo que simbólica, pode ser interpretada como um afrouxamento do rigor dramático. Muitos leitores aguardavam uma celebração da paz duramente conquistada, focada nos sobreviventes e no futuro, e não em um retorno que parecia contrariar a severidade das regras do universo estabelecido, onde o sangue derramado não podia ser desfeito pelo simples fim da luta.
Impacto na recepção da conclusão
A forma como o autor resolveu os arcos finais influenciou profundamente como a comunidade receptiva os capítulos finais. O clímax da batalha contra Muzan exigiu sacrifícios imensos. Portanto, a sugestão de que estes sacrifícios poderiam ser, de alguma forma, desfeitos, mesmo que em uma cena final onírica ou de epílogo, chama a atenção para o que constitui o final verdadeiro da jornada da Espada do Demônio. A interpretação de que pode ter sido um mero recurso de preenchimento, ou filler narrativo, sugere uma desconexão entre a intenção emocional e a coerência interna da trama no seu ponto culminante.
A análise do capítulo 205 foca-se, portanto, na validade do elemento sobrenatural introduzido no encerramento, ponderando se este recurso serviu para honrar a memória dos caídos ou se arriscou confundir os limites entre o real e o metafórico dentro da mitologia da série.