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Desvendando técnicas tradicionais para representar iluminação, brilhos e elementos atmosféricos em desenhos

Artistas buscam métodos artísticos ancestrais para replicar com precisão o efeito de luz, gotas de chuva e brilhos atmosféricos em ilustrações.

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Analista de Mangá Shounen

23/02/2026 às 18:04

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Desvendando técnicas tradicionais para representar iluminação, brilhos e elementos atmosféricos em desenhos

A representação de efeitos visuais complexos como linhas de luz intensa, gotículas de chuva e partículas cintilantes em mídias tradicionais levanta questões técnicas cruciais sobre a aplicação de materiais. A busca por replicar a vivacidade encontrada em artes digitais ou em ilustrações de alto contraste exige um domínio específico das técnicas de pigmentação e mascaramento.

O desafio da luz e do brilho

Ao observar trabalhos que conseguem simular uma iluminação dramática, como as cenas icônicas vistas em publicações como Berserk, o observador se pergunta sobre o método exato empregado para destacar áreas específicas do papel ou da tela. Existem fundamentalmente três abordagens principais que os ilustradores consideram ao tentar criar estas áreas de máxima luminosidade e transparência.

Mascaramento negativo versus tinta positiva

Uma das primeiras técnicas a ser explorada é o mascaramento negativo, onde o artista opta por delinear ou preencher todas as áreas que deveriam estar em sombra ou com tonalidade média, deixando as áreas de brilho completamente intocadas, na cor pura do suporte (papel branco, por exemplo). Este método exige planejamento extremamente rigoroso, pois qualquer aplicação acidental de tinta nessas áreas pode comprometer o efeito desejado.

Em contraste, a aplicação de tinta branca de cobertura, como guache opaco ou tinta acrílica branca de alta pigmentação, surge como a alternativa de intervenção direta. Nesta técnica, o artista completa o plano de fundo e os meios-tons, e só então aplica a tinta branca sobre as áreas que necessitam de um ponto de luz ou de um reflexo especular, como seria o caso de gotas de chuva perfeitamente iluminadas.

Trabalhando com texturas através da abrasão

Outra prática notável, especialmente relevante quando se lida com a estética de revistas e quadrinhos impressos, envolve o uso de screentones. O screentone, amplamente utilizado em mangás, são folhas adesivas com padrões de pontos que fornecem tons de cinza ou texturas uniformes. Para criar destaques, especialmente em áreas que já possuem um screentone aplicado, alguns profissionais recorrem à remoção física do material.

Este processo, conhecido como scraping ou raspagem, consiste em aplicar uma camada base de screentone sobre a área e, subsequentemente, utilizar lâminas ou ferramentas pontiagudas para raspar o padrão, revelando o branco do papel por baixo, simulando assim a chuva fina ou os brilhos estáticos. Contudo, essa técnica impõe um complexo dilema de sobreposição.

A preocupação logística surge ao aplicar múltiplos tons de screentone. Se um artista sobrepõe uma camada luminosa (criada por raspagem ou por um screentone muito claro) sobre uma área que já possui um padrão de meio-tom mais escuro, pode inadvertidamente comprometer a integridade do tom inferior. A clareza do resultado final, portanto, depende de uma hierarquia de aplicação bem definida, muitas vezes exigindo que os tons mais escuros sejam aplicados antes dos mais claros, ou que apenas o papel virgem seja exposto ao final da fase de texturização.

O sucesso dessas representações, seja através da ausência de tinta, da adição de branco puro ou da remoção seletiva de texturas, reside no entendimento profundo da física da luz e na experimentação controlada com materiais artísticos tradicionais, como os citados por Leonardo da Vinci em seus estudos sobre óptica e sombra.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.