A complexa teia de causalidade e a resistência dos apóstolos no universo de berserk
A narrativa de Berserk levanta questões profundas sobre o destino, a vontade de Griffith e a aparente invencibilidade da Mão de Deus.
A jornada épica de Berserk, obra criada originalmente por Kentaro Miura, continua a intrigar leitores profundos, especialmente ao analisar as camadas conceituais que permeiam sua crônica de batalhas e tragédias. Um ponto central de fascínio reside na aparente contradição entre a força da Causalidade - a lei fundamental que governa o mundo espiritual e físico - e a capacidade de certas entidades poderosas de desafiá-la.
O Paradoxo dos Escolhidos
A experiência de leitores avança no enredo, notavelmente em torno do capítulo 342, e surgem questionamentos sobre como seres considerados apóstolos conseguem exercer influência tão significativa em oposição direta à Mão de Deus (God Hand) e aos desígnios da Causalidade. Figuras como o Imperador Ganishka, cuja ascensão foi marcada por uma subversão drástica da realidade, e Myrmídia (com a grafia aproximada do nome que frequentemente gera dúvidas entre os fãs), parecem transcender os limites esperados para seres mortais corrompidos. Se a Causalidade é a força motriz, como essa resistência se manifesta de forma tão veemente?
Isso leva a uma análise mais profunda do papel de Griffith. A ambição do Cavaleiro do Crânio, que culminou na fusão dos mundos Astral e Físico, levanta a questão: por que sua trajetória parece mais crucial ou acelerada do que a própria estrutura determinista do universo? A ambição de Griffith, materializada em sua transformação em Femto, sugere que certas vontades individuais, quando maximizadas pelo poder celestial, podem dobrar, se não quebrar, as regras estabelecidas pela Causalidade.
Guts: Fenda na Teia ou Destino Traçado?
Talvez a questão mais persistente e existencial da saga envolva o protagonista, Guts. Se a narrativa é guiada por um destino preordenado, ele está simplesmente cumprindo um papel específico, mesmo que seja o de antagonista da própria ordem cósmica? Ou a sua incessante luta contra o destino o classifica como uma anomalia, uma fenda na Causalidade?
A dicotomia central da obra parece girar em torno dessa tensão. De um lado, há a inevitabilidade do destino, onde cada evento está interligado em uma rede complexa de causa e efeito. De outro, está a força bruta da vontade humana e do sofrimento, exemplificada por Guts, que resiste a ser um mero peão. A história, por meio desses confrontos existenciais, explora se o verdadeiro significado reside em aceitar o destino imposto ou na perseverança obstinada de traçar um caminho, mesmo quando todas as forças do universo conspiram contra isso. Essa eterna batalha contra o que é preordenado é o que mantém o tecido dramático de Berserk tão denso e fascinante, desafiando interpretações simples sobre quem realmente detém o controle sobre o futuro.