A teoria da armadilha da causalidade em berserk: Por que matar griffith pode ser o erro final de guts

Uma análise aprofundada sugere que a vingança de Guts pode ser exatamente o que a Ideia do Mal planejou para provocar um Eclipse Global.

An
Analista de Mangá Shounen

31/01/2026 às 09:59

6 visualizações 6 min de leitura
Compartilhar:
A teoria da armadilha da causalidade em berserk: Por que matar griffith pode ser o erro final de guts

A trajetória de Guts em Berserk caminha inevitavelmente para o confronto final com Griffith, a entidade renascida. No entanto, uma linha de raciocínio complexa baseada na metafísica estabelecida pelo falecido Kentaro Miura propõe que o ato de assassinar Griffith não seria a libertação, mas sim o cumprimento da etapa final de um plano orquestrado pela própria Ideia do Mal.

O Messias Descartável e a Esperança Concentrada

A base desta teoria reside na natureza da Ideia do Mal. Em um momento crucial, a entidade revela a Griffith o seu propósito, dizendo: "Faça o que deseja". Griffith, neste contexto, não seria o arquiteto supremo, mas sim a ferramenta, a "Caneta" utilizada para escrever o destino humano. Ao permitir que Griffith estabelecesse Falconia, a Ideia do Mal conseguiu concentrar toda a esperança da humanidade em uma única figura messiânica.

O perigo surge se Guts cumprir seu papel de executor. Se o Sangrento da Espada Negra eliminar o salvador percebido pela maioria da humanidade, Guts forneceria ao mundo inteiro o motivo definitivo para o desespero. Esse ato resultaria em um Eclipse Global, um evento de alimentação para o Abismo muito mais poderoso do que qualquer sacrifício havido até então, transformando a vingança no catalisador da destruição cósmica.

Guts: O Peixe que Volta ao Rio

A metáfora proferida pelo Cavaleiro da Caveira sobre Guts ser um "peixe que salta da água", tentando escapar do fluxo da Causalidade, é central aqui. A teoria argumenta que se Guts age unicamente por vingança, ele está meramente atuando dentro do roteiro. Sua fúria e seu caminho de retribuição são variáveis previsíveis que a Ideia do Mal já calculou e incorporou ao seu design.

A tensão narrativa atual, onde Griffith provoca ativamente Guts em Elfhelm, não seria um sinal de vulnerabilidade, mas um apelo para que Guts reforce a identidade que lhe foi imposta: a de carrasco. O confronto final, que se espera espelhar o duelo inicial entre os dois no volume 8, pode tomar um rumo inesperado.

A Inversão do Ato Fundador

No primeiro duelo na neve, a vitória de Guts desestabilizou o ego de Griffith ao fazê-lo perder o controle sobre seu companheiro mais leal. O clímax, contudo, pode exigir uma inversão desse momento. Em vez de desferir o golpe letal provocado pelo ódio, Guts poderia, no último instante, baixar a espada, possivelmente influenciado pela presença protetora do Garoto do Luar.

Virando as Engrenagens da Causalidade

A profecia do Cavaleiro da Caveira sobre a possibilidade de "virar as engrenagens da causalidade" não exigiria necessariamente um ato de força destrutiva. Em vez disso, seria um ato de vontade pura e escolha moral. Se Guts escolhe priorizar o Garoto do Luar e Casca em detrimento da vingança pessoal, ele faz algo que a entidade cósmica parece incapaz de processar: ele escolhe a Indiferença ou o Perdão em vez do Ódio.

Para um ser narcisista como Griffith, ser poupado por Guts por pena, ou ser visto como uma marionete insignificante cujo poder desapareceu, representa um trauma psicológico mais profundo do que a morte. Esse desprezo efetivo desfaz o deus que ele se tornou, deixando para trás apenas o homem quebrado. A verdadeira vitória de Guts residiria em recusar-se a ser o instrumento de um poder maior, reafirmando sua liberdade ao se afastar, deixando Griffith aprisionado em um paraíso que perdeu todo o significado sem a devoção de Guts.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.