Teoria sugere que o poder divino em berserk reside no subconsciente humano e na capacidade de desafiar o destino
Uma interpretação detalhada do final de Berserk aponta que a humanidade, inconscientemente, cria a realidade, e Guts pode quebrar o ciclo.
Uma análise aprofundada das dinâmicas metafísicas de Berserk propõe que a força divina e a própria estrutura da causalidade no universo da obra derivam inteiramente do subconsciente coletivo da humanidade. Segundo essa linha de raciocínio, os seres humanos são, ironicamente, os verdadeiros 'Deuses' do seu mundo, embora desconheçam esse poder inerente.
O cerne desta teoria reside na ideia de que a existência do Mundo Astral, das criaturas mágicas, e até mesmo das manifestações malignas, como os Apóstolos e a própria Mão de Deus, são reflexos diretos da imaginação e das emoções humanas. O lado positivo, como fadas e elfos, seria produto da esperança coletiva; o lado sombrio, alimentado por medos, desejos e a necessidade de encontrar um propósito para o sofrimento.
A gênese da Ideia do Mal e da Causalidade
Um ponto crucial levantado é a origem da Ideia do Mal. Ela não seria uma entidade externa, mas sim uma manifestação criada pelo próprio subconsciente para dar um sentindo ao sofrimento humano. A necessidade constante de que a dor tenha um propósito, seja através de religiões, superstições ou crenças em um destino preestabelecido, teria gerado essa força para moldar a causalidade e justificar o caminho de cada indivíduo.
O tema central, portanto, seria a libertação dessa prisão conceitual. A mensagem de Kentaro Miura, segundo essa leitura, culminaria na aceitação de que o sofrimento simplesmente acontece, sem necessidade de justificação metafísica. Quando a humanidade abraçar a verdade de que não precisa de um Deus ou de um destino ditado, ela retomará o controle de sua própria divindade.
O Arco Final de Guts: A Vontade contra o Destino
A jornada de Guts seria o catalisador para essa mudança. Seu final dependeria de uma realização profunda: todo o seu tormento não foi obra de um destino cruel, mas sim consequência das ambições e desejos materiais de outros seres. Ao despir o horror que testemunhou de qualquer significado sobrenatural ou divino, tratando monstros e demônios apenas como obstáculos a serem superados, Guts teria um despertar de vontade.
Essa nova perspectiva filosófica permitiria que a resolução de Guts distorcesse a realidade ao seu redor especificamente contra as forças do mal. Sua pura força de vontade, desvinculada da crença em causalidade, seria a arma definitiva contra a Mão de Deus.
O Reversão de Griffith e o Desaparecimento do Astral
O clímax, especula-se, envolveria Guts enfraquecendo Griffith ao abalar sua base de poder. A intervenção de Casca, combinada com o fato de Guts ter triunfado sem aceitar o destino, faria com que Griffith perdesse sua essência demoníaca, revertendo-o ao seu eu humano, frágil e que lamenta sua traição original. Enquanto isso, a diminuição da crença humana em poderes superiores faria com que o Mundo Astral se dissipasse, levando criaturas como Puck a se despedirem e retornarem a um plano inexistente.
A expectativa é de um final agridoce. Guts e Casca alcançariam a paz em um mundo agora mundano, seguro, mas desprovido de magia. Contudo, a natureza cíclica da imaginação humana sugere que, eventualmente, o medo e o desejo ressurgiriam, reerguendo a Ideia do Mal em um futuro distante.
As últimas imagens seriam um espelho do começo: em meio a um novo desastre apocalíptico, um novo guerreiro, espelhando a determinação de Guts, surgiria para lutar contra as forças do destino renovado. A mensagem final seria a esperança perene: a liberdade individual e a capacidade de desafiar qualquer 'destino' imposto sempre existirão, mesmo que o ciclo de sofrimento e redenção seja eterno.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.