Terceira temporada de one-punch man: A sátira involuntária ao shounen de 'power scaling'?
Uma análise sugere que a qualidade de produção revisada da terceira temporada de One-Punch Man funciona como uma sátira suprema ao próprio gênero shounen.
A análise do percurso criativo de One-Punch Man aponta para um argumento intrigante sobre sua terceira temporada: sua produção visual, frequentemente criticada, poderia ser interpretada como o ápice da sátira que a obra sempre buscou fazer. Originalmente concebida como uma paródia direta aos clichês dos animes de luta e ao power scaling desenfreado, a série parece ter atingido seu ponto máximo de ironia de forma inconsciente.
A sátira inicial e o poder de Saitama
No início, a piada central funcionava bem: Saitama, o herói que derrota qualquer adversário com um soco, subverte a necessidade de longos arcos de treinamento e escalada progressiva de poder. O fim da primeira temporada com o confronto contra Boros simbolizou isso perfeitamente. Em apenas doze episódios, o protagonista resolveu um desafio que, em um shounen tradicional de 150 episódios, serviria apenas como o clímax intermediário.
A narrativa subsequente do mangá, embora elogiada pela sua continuidade como comédia de ação, continua a empurrar essa lógica ao limite. Quando o grande vilão é derrotado, a explicação oferecida para o crescente poder de Saitama é essencialmente a observação de que seu “gráfico de poder” simplesmente ultrapassou o de qualquer opositor. Essa abordagem remove a necessidade de justificativas narrativas complexas para o aumento de força, transformando debates sobre quem são os “personagens mais fortes do anime” em algo fútil diante da premissa do mangá: Saitama escalará mais rápido do que qualquer um.
A inversão da paródia na nova animação
O novo foco recai sobre a própria adaptação animada. A decepção com a qualidade visual da terceira temporada, atribuída por críticos a cortes orçamentários e pressão de estúdio para maximizar lucros aproveitando a inércia do sucesso anterior, pode ser reinterpretada sob a ótica da sátira. Se a obra satiriza os shounens que sacrificam a qualidade pela escala, a adaptação estaria satirizando os espectadores.
A ideia central é que, se a intenção era superar a sátira original, o caminho encontrado foi tornar-se o anime de má qualidade com sucesso comercial absurdo. O feito notável de a terceira temporada alcançar posições de destaque nas paradas de audiência, incluindo o topo em diversos mercados globais mesmo com falhas de animação e direção, sugere que o público abraçou o produto final, independentemente de sua execução técnica.
Em essência, o argumento sugere que esta temporada alcançou um nível meta-narrativo sem precedentes. Não se trata apenas de zombar dos clichês de power up, mas sim de expor a dinâmica do mercado de entretenimento e a lealdade do público. A obra, de forma inadvertida ou não, provou que o público viria em massa, mesmo para uma produção com qualidade visivelmente inferior, desde que carregasse o nome One-Punch Man, completando assim um ciclo ironicamente perfeito de comentário social sobre o consumo de mídia.