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A tese do 'mal necessário': Reavaliando o renascimento de griffith no universo berserk

Uma análise aprofundada explora a visão de Griffith como um 'mal necessário' em um mundo condenado pela tirania.

Analista de Mangá Shounen
22/01/2026 às 11:44
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A figura de Griffith, o líder carismático e ambicioso da Tropa do Falcão, transcende a simples dicotomia de herói ou vilão no complexo universo de Berserk. Uma perspectiva argumenta que seu renascimento, obtido através do sacrifício da sua antiga irmandade, pode ser interpretado como um mal necessário para estabilizar um mundo já à beira do colapso moral e físico.

Um mundo à mercê do caos

Ao examinar o cenário mundial antes e imediatamente após a ascensão de Femto (a forma divina de Griffith), percebe-se um ecossistema saturado de crueldade institucionalizada. De um lado, o Império Kushan, sob o comando do Rei Ganishka, representa um regime tirânico evidente. As ações deste monarca, conhecidas por sua impiedade, envolviam execuções em massa e atos de violência extrema contra civis, tudo em prol de seus próprios objetivos de domínio.

Do outro flanco, a Santa Sé exibe uma forma de fanatismo religioso que se manifesta em rituais brutais, como evidenciado nos horrores vivenciados na Torre da Inquisição. A narrativa estabelece um mundo onde a paz é uma ilusão tênue, constantemente ameaçada por governantes cruéis e pela proliferação de Apóstolos, seres sobrenaturais que semeiam a destruição entre a população humana.

O Elmo de Utopia

Neste contexto de desespero e caos generalizado, a chegada da nova encarnação de Griffith é vista, sob esta ótica controversa, como um farol de ordem. Embora seu método envolva o sacrifício hediondo da Tropa do Falcão, o resultado imediato de seu novo reinado é a unificação forçada de facções opostas. O mundo de Berserk, que parecia destinado a se autodestruir, encontra um ponto de convergência temporária.

A paz prometida sob o estandarte de Griffith, embora superficial e construída sobre cinzas, permite a coexistência, ainda que tensa, entre humanos, Apóstolos e outras entidades monstruosas. Esta possibilidade de coexistência, inexistente sob as pressões do Império ou da Santa Sé, é o cerne do argumento de que Griffith preenche um vácuo de liderança capaz de impor uma nova ordem mundial, custe o que custar.

Essencialmente, a discussão se concentra na ética utilitarista: se o sofrimento de poucos (a Tropa do Falcão) resulta em relativa estabilidade e fim de atrocidades em escala maior promovidas por outras potências, a ascensão de Griffith pode ser pragmática, se não moralmente justificável. O sacrifício define seu caminho, moldando um destino complexo para todos os habitantes do mundo fictício criado por Kentaro Miura.

Fonte original

Tags:

#Berserk #Griffith #Ganishka #Mal Necessário #Império Kushan

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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