Análise: A eliminação do conde julius seria inevitável no arco de berserk sem a tentativa de assassinato
A trajetória de Griffith e o destino do conde Julius levantam questões cruciais sobre o alcance do egoísmo e do planejamento do líder da Tropa do Falcão.
A complexa teia de ambições e sacrifícios que define a ascensão de Griffith em Berserk frequentemente convida a reflexões sobre os pontos de inflexão da trama. Um tópico recorrente entre os entusiastas da obra de Kentaro Miura diz respeito à figura do conde Julius, um nobre cujas ações precipitaram eventos cruciais para a Tropa do Falcão.
O cerne da questão reside em determinar se a morte de Julius, orquestrada por Griffith, ocorreria mesmo que o conde não tivesse tentado tirar a vida do carismático comandante. Analisar este cenário hipotético exige ponderar a filosofia de Griffith e seu comprometimento absoluto com a conquista de seu reino.
O Conde Julius como Obstáculo Estratégico
É inegável que, independentemente de qualquer ataque direto, o conde Julius nutria um profundo ressentimento contra Griffith. A influência e o prestígio crescentes do líder da Tropa do Falcão representavam uma ameaça direta à estrutura de poder e aos interesses de nobreza estabelecida, da qual Julius fazia parte. Para Griffith, cujo sonho era possuir seu próprio reino, figuras influentes que o viam como um inimigo declarado eram, inerentemente, empecilhos no caminho de sua ascensão meteórica.
A eliminação de um inimigo político, mesmo que não imediata, é uma tática recorrente em narrativas de poder. Griffith, demonstrando uma maturidade estratégica impressionante para sua idade, entendia que a lealdade ou a inação dos nobres não eram garantidas. Enquanto Julius estivesse vivo e insatisfeito com a ascensão de um plebeu como Griffith, ele representaria um foco potencial de resistência e conspiração, algo que o futuro líder da Mão de Deus não podia permitir.
A Natureza da Ambição de Griffith
A principal motivação de Griffith sempre foi a concretização de seu sonho, um objetivo sobre o qual ele demonstrava pouca ou nenhuma hesitação moral. Se o conde Julius fosse apenas um obstáculo ideológico ou político, e não um atacante direto, a ação de Griffith mudaria de natureza: passaria de uma reação a uma pré-meditação calculada, visando a remoção preventiva de ameaças futuras. A tentativa de assassinato por parte do conde serviu, na prática, como uma justificativa conveniente e urgente para a ação que Griffith talvez já estivesse planejando de forma mais lenta.
A manipulação e a visão de longo alcance de Griffith sugerem que ele teria encontrado um meio de neutralizar Julius. Seja através de difamação, corrupção de aliados ou, como veremos mais tarde, através de métodos mais drásticos, a permanência do conde na esfera de influência da nobreza era incompatível com os planos superiores de Griffith. A busca por poder absoluto exige a remoção sistemática de quem se opõe, mesmo que essa oposição ainda não tenha se materializado em um ataque físico iminente. O destino de Julius, portanto, parece selado pela sua posição contrária ao progresso do Falcão, mais do que simplesmente por sua imprudência naquele momento específico.