Análise aponta dilemas criativos no arco atual de boruto e a recepção do trabalho de ikemoto
Questões sobre o desenvolvimento de vilões, o design de personagens e a introdução de tecnologia avançada geram debate sobre os rumos de Boruto.
A narrativa subsequente ao final de Naruto Shippuden, focada em Boruto Uzumaki, tem sido palco de intensos debates sobre as escolhas editoriais e artísticas recentes. Uma análise detalhada sobre o andamento da fase atual da obra aponta pontos de fricção significativos, especialmente no que tange à construção de mundo e ao escalonamento de poder.
O desafio da expansão do universo e a ameaça recorrente
Um dos pontos mais críticos levantados reside na forma como a ameaça alienígena, representada pelos Otsutsuki, continua a dominar o enredo. Há uma sugestão de que a trama poderia ter se beneficiado enormemente com a introdução de um novo continente, até então intocado pelos eventos da Quarta Grande Guerra Ninja. Tal abordagem teria permitido o surgimento de inimigos inéditos e com um poder destrutivo significativo, sem a necessidade de enfraquecer os protagonistas originais, como Naruto e Sasuke. Isso abriria espaço narrativo para introduzir novas dinâmicas entre os personagens centrais e a nova geração, intercalando arcos Otsutsuki com desdobramentos mais focados no desenvolvimento de habilidades como o Karma.
Vilões e o foco excessivo em personagens centrais
A qualidade percebida dos antagonistas atuais é frequentemente questionada. A crítica aponta que a série padece por ter pouquíssimos vilões que realmente inspiram temor ou lealdade dividida, ao contrário das sagas anteriores onde batalhas icônicas como a de Rock Lee contra Gaara ou o confronto entre Bee e Sasuke cativavam o público. Atualmente, o engajamento parece concentrar-se quase exclusivamente em torcer pelos heróis estabelecidos, com pouca profundidade nos antagonistas, resultando em momentos de pico de empolgação restritos quando os personagens originais estão em destaque.
Estética visual e mudanças de design
O trabalho visual de Masashi Ikemoto, responsável pelo design de personagens na série, também está sob escrutínio. Comparações com o estilo prévio são frequentes, destacando-se críticas a alterações específicas no desenho, como a aparência do cabelo de certos personagens clássicos e o que é visto como uma simplificação excessiva em certas caracterizações. Além disso, a introdução de novos visuais, como a vestimenta de Sarada, gerou comentários sobre a adequação estética ao universo ninja.
Outro aspecto que desafia a lógica interna da obra é a integração da tecnologia avançada. A introdução de ciborgues e ferramentas ninja de alta potência levanta dúvidas sobre o investimento anterior em métodos puramente ninjas. Se a tecnologia pudesse gerar ameaças de nível global, como o ser conhecido como Eida, por que figuras geniais como Orochimaru não teriam explorado esse caminho com mais afinco? A aparente fragilidade de um sistema artificial tão poderoso - incapaz de se defender de seus próprios criadores sem um bloqueio de programação - é vista como um ponto fraco significativo no roteiro recente.
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Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.