Análise aprofundada revela diferenças críticas entre o mangá e o anime de hunter x hunter
Leitura recente do mangá de Hunter x Hunter traz insights valiosos sobre as nuances da arte de Togashi em comparação com a adaptação animada.
A experiência de imersão na obra de Yoshihiro Togashi, Hunter x Hunter, ao migrar do formato animado para o mangá revelou uma série de nuances que impactam profundamente a percepção da narrativa e da arte. Para um fã que já considerava o anime entre seus favoritos, descobrir o material original solidificou a série no panteão das melhores obras, embora com ressalvas pontuais.
A mestria da narrativa visual e o peso emocional
Um dos pontos mais destacados na leitura do mangá é a maneira como Togashi-sensei utiliza sua arte para transmitir emoções. Diferente do anime, que por vezes compensava com uma trilha sonora marcante e dublagem expressiva, o traço original conseguia capturar sentimentos de forma mais crua e direta. Essa habilidade é notória no desenvolvimento de personagens variados, cujos designs são elogiados pela criatividade.
A coreografia de batalhas, embora não seja o foco central de Hunter x Hunter, demonstrou ser surpreendentemente envolvente no papel. A clareza das sequências permitia que o leitor visualizasse a ação mentalmente, um testemunho da habilidade de Togashi em desenhar lutas compreensíveis sem depender de constantes narrativas adicionais.
Arcos e comparações emocionais
A comparação entre os arcos, como a Saga das Aranhas (Yorknew City - YN) e o Arco das Formigas-Quimera (CA), ganhou nova perspectiva. Enquanto os fãs frequentemente elegiam a saga YN no anime devido à trilha sonora épica durante o réquiem, o mangá consegue manter um equilíbrio apreciado entre as duas narrativas. Especificamente, a brutalidade do arco CA é sentida de maneira mais intensa no papel, não apenas pelo gore explícito, mas pela atmosfera de desespero e impotência criada pelo autor.
A representação da morte de Kite ilustra bem essa diferença. No mangá, a maneira como Togashi desenhou Kite transformado em uma marionete, com pele remendada e olhos sem vida, transmite uma profanação do ser humano que supera o mero desmembramento. Isso intensifica a reação de Gon, cujo sofrimento e o subsequente peso da culpa são absorvidos de forma mais palpável pela arte do mangá.
Da mesma forma, o final de Meruem e Komugi, embora tocante no anime, gerou um impacto emocional significativamente maior na leitura, levando o leitor a pausas para processar o luto.
Divergências e críticas pontuais
A ausência do narrador durante a maior parte da obra original, sendo introduzido de forma mais notável apenas no arco CA, foi vista como um ponto positivo. Argumenta-se que o narrador do anime era desnecessário em certas partes, pois a obra já demonstrava visualmente o que estava acontecendo, caindo no excesso de explicação.
Contudo, algumas inconsistências no design de personagens foram notadas. Em particular, o design inicial de Canary no mangá gerou descontentamento por remeter a estereótipos raciais criticados na mídia. Já outros personagens, como Hisoka, tornaram-se ainda mais perturbadores e, paradoxalmente, mais cômicos em suas expressões faciais no formato impresso.
Um detalhe que se tornou evidente apenas no mangá foi o nível de excitação de Hisoka durante a incursão de um grupo no banho em Greed Island, confirmando a percepção errônea que alguns personagens tinham sobre ele.
A jornada de leitura revelou a maestria de Togashi em criar conexões profundas, inclusive no arco de Ikalgo, que despertou lágrimas ao salvar Killua, algo que não ocorreu na versão animada. A leitura da obra original, que foi pausada após o ponto onde a animação parou, deixa uma expectativa alta pelo progresso contínuo da história.