A busca por animes coreanos: O que define a animação sul-coreana fora do Japão
A popularidade de produções como Lookism reacende o debate sobre a classificação de animações feitas na Coreia do Sul.
A ascensão de obras sul-coreanas no cenário audiovisual global tem gerado discussões interessantes sobre a classificação de seus produtos de animação. Enquanto o termo anime é tradicionalmente associado às produções japonesas, produções como Lookism desafiam essas fronteiras, obrigando o público a reavaliar a nomenclatura utilizada.
O ponto central do debate reside na origem geográfica e linguística da produção versus o formato final de distribuição. Se uma obra é criada integralmente na Coreia do Sul, utilizando estúdios e equipes locais, mas é consumida como um produto de animação tradicional, ela deve ser enquadrada como um anime?
A distinção entre manwha e animação coreana
Um exemplo notável que ilustra essa complexidade é o fenômeno do manwha, o termo coreano para histórias em quadrinhos, similar ao mangá japonês. Obras extremamente populares, como Solo Leveling, nascem como manwha e alcançam adaptações animadas.
No entanto, quando Solo Leveling recebe uma adaptação produzida com padrões técnicos e distribuição que frequentemente leva à dublagem em japonês ou internacionalização, a linha divisória se torna turva. A questão levantada é se a sonoridade ou o mercado de lançamento anula a identidade de origem da produção animada.
Argumenta-se que classificar uma animação sul-coreana como anime apenas por ter temas, nomes ou cenários que ressoam com o público asiático seria o mesmo que rotular obras japonesas - como Attack on Titan ou Spy X Family - como produções ocidentais apenas porque contêm elementos culturais ou linguísticos ocidentais em seus enredos. A nacionalidade do estúdio de produção se torna, assim, o fator determinante.
O nicho das animações coreanas
A indústria de animação sul-coreana tem investido significativamente em qualidade visual e narrativa, muitas vezes explorando estéticas e ritmos distintos dos estúdios japoneses. O sucesso de Lookism, baseado em um popular webtoon, aponta para um mercado sedento por conteúdo animado que não se restringe aos formatos estabelecidos de Tóquio.
A busca por mais títulos que sigam essa linhagem, ou seja, animações originais sul-coreanas, sugere que os consumidores estão interessados em explorar a identidade criativa única que emerge do cenário audiovisual coreano, independentemente de como a indústria japonesa historicamente definiu o termo anime. Essa tendência reflete uma maturidade crescente na aceitação de mídias regionais como entidades artísticas autônomas.