A complexa dor emocional de casca e o papel ambíguo de griffith no mangá berserk
Análise dos momentos cruciais que definem o sofrimento de Casca e a motivação por trás das ações de Griffith.
O universo sombrio de Berserk, criado por Kentaro Miura, está repleto de tragédias que ressoam profundamente com o público, especialmente nos arcos que envolvem a personagem Casca. A complexidade de seu trauma e as motivações ambíguas de Griffith continuam a ser um foco central de estudo e reflexão entre os apreciadores da obra.
Um ponto de análise recorrente é o estado psicológico atual de Casca pós-Eclipse. Embora fisicamente resgatada ou preservada em certas circunstâncias, sua mente permanece aprisionada por memórias devastadoras. O sofrimento que ela experiencia não é meramente físico, mas reside na incapacidade de processar ou sequer reconhecer a fonte de sua angústia. A dor é onipresente, mas sua causa permanece velada para ela, criando um ciclo de confusão e angústia constante.
O resgate e a instrumentalização
É fundamental observar que a intervenção de Griffith, que historicamente culminou em sua ascensão como Femto, nunca é puramente altruísta no contexto da narrativa. Uma das interpretações mais contundentes sobre suas ações recentes aponta para a instrumentalização da própria Casca. O ato de salvamento ou manutenção de sua vida, em certos momentos cruciais, parece estar intrinsecamente ligado à existência da criança demoníaca.
Esta criança, filha de Guts e da forma demoníaca de Griffith, representa um elo kármico ou um recurso tático dentro do novo plano de Griffith para o seu mundo ideal. A ligação entre Casca e a criança serve como uma âncora, ou talvez um ponto de pressão, que Griffith utiliza para mover os acontecimentos a seu favor. A sua aparente proteção ou proximidade é, portanto, vista como tática, e não como redenção ou verdadeiro cuidado pelo bem-estar de Casca, que permanece submersa em sua dor existencial.
A dinâmica estabelecida entre esses três personagens é um dos pilares emocionais mais densos da saga. Enquanto Casca luta para encontrar paz interior ou autoconsciência, as ações de Griffith são guiadas por objetivos maiores e mais cosméticos, tornando o seu envolvimento com ela secundário à sua ambição de criar seu reino.
Essa tensão narrativa sublinha a maestria de Kentaro Miura em explorar temas como trauma, desejo e o custo da ambição desenfreada. A jornada de Casca, presa entre a dor incompreensível e a influência de figuras manipuladoras, continua a ser o motor de momentos de profunda tristeza na narrativa de Berserk, mantendo os leitores envolvidos na complexidade de seu destino.