A complexa motivação por trás do rapto de casca por griffith após sua ressurreição em berserk

A retomada de Casca por Griffith, após seu retorno físico, levanta questões cruciais sobre suas intenções e o ponto de inflexão da narrativa em Berserk.

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Analista de Mangá Shounen

09/02/2026 às 21:55

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O retorno triunfal de Griffith, renascido como Femto e agora possuindo um corpo físico completo, marcou um dos momentos mais surpreendentes e perturbadores da saga Berserk. Uma das ações que mais intensificaram o mistério em torno de seus objetivos pós-reencarnação foi a subsequente apropriação de Casca. A questão que permanece central para a análise da trama é o timing dessa ação: por que Griffith não a buscou imediatamente em seu refúgio, como a Torre do Renascimento, optando por esperar seu despertar e a recuperação de sua memória?

Estrategicamente, Griffith demonstrou uma paciência incomum para o personagem que, em sua vida anterior como líder da Tropa do Falcão, sempre agiu com audácia e velocidade para alcançar seus sonhos. Ele tinha meios para recuperar Casca sem grandes obstáculos após sua ascensão ao reino físico. Entretanto, ele parece ter aguardado um período crítico em que Casca, após anos em estado catatônico, recuperasse a consciência e, crucialmente, suas memórias recentes e passadas.

O Valor da Agonia Reconhecida

A espera sugere que o objetivo de Griffith ia além de meramente possuir a companheira de Guts. Sua motivação parece intrinsecamente ligada ao estado psicológico de Casca. Se ele a tivesse tomado enquanto ela não possuía suas lembranças do Eclipse, ela seria pouco mais que um objeto inerte, uma vítima da tragédia. Ao aguardar a recuperação de sua sanidade e memória, Griffith garantiu que Casca estivesse plenamente ciente de quem ele é e do que ele fez.

Esta escolha implica um desejo sádico e sofisticado, focado na confirmação de seu poder absoluto sobre aqueles que um dia o amaram ou o seguiram. Casca, uma guerreira feroz e um símbolo da resistência contra a escuridão, representa o maior troféu emocional para Griffith. Ter a consciência dela confirmando a realidade de sua nova divindade e a destruição de seu passado é, possivelmente, a validação suprema para a entidade que ele se tornou após o sacrifício.

Comparação com a Ambição Original

A nova encarnação de Griffith busca um reino de paz e ordem, um paraíso construído sobre a dor alheia. Em contraste com a sede de poder mundana que movia o líder da Tropa do Falcão, sua ambição atual é de natureza quase teológica, de estabelecimento de um novo mundo. A posse de Casca, neste contexto, torna-se um ato simbólico. Não é apenas um ato de vingança contra Guts, mas um ato de reafirmação de que ele é o pivô sobre o qual todo o destino, inclusive o de seus antigos aliados, irá girar.

A complexidade reside na sua aparente falta de pressa em um cenário onde o tempo é precioso para a manutenção de seu novo corpo e reino. Essa lentidão calculada, típica de um ser transcendente, indica que o sofrimento psicológico induzido em Casca é um componente necessário de seu novo plano mestre, algo mais valioso do que a mera captura física. O ato de sequestrá-la lúcida reforça a natureza manipuladora e cruel de seu renascimento em Berserk, um marco decisivo para a jornada de seus antigos companheiros.

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Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.